Ontem eu fui a uma Jurema tocada nos ilús, maracás, com fumaça de cachimbos, de charutos, chapéus de palha, bebida jurema pra saldar esses mundos de tantos encantados, muita dança pra poeira subir e muitos mestres bons e mestras boas no ponto dançando e dando seus recados.
As festas do culto da jurema são bem isso: alegria e “ciência”, sorrisos e seriedade, onde mestres e mestras cantam, dançam – mas também falam sério – aconselham, cumprimentam e ensinam. A minha sensação é que este culto junta as diversas influências recebidas aqui no Nordeste e ao assistir um ritual imediatamente me remeto aos índios sertanejos, aos negros trazidos e aos brancos com suas crenças. A Jurema representa assimilações de cultos e crenças forasteiras e a construção de uma nova identidade sem desrespeitar as suas primeiras raízes.
A Jurema soa a mim identificação, pois, no meu caso, lembra os costumes alimentícios que a minha família trouxe do interior e que persistem até hoje, as comidas de origem indígena tendo a macaxeira como base de inúmeras delas, me lembra também meu avô pilando café torrado no nosso imenso pilão, ele anotando a receita da bebida da jurema para ser guardada para eternidade, me lembra meu avô também rezando o meu olho doente pedindo uma cura, lembra minha avó rezando o ofício da Nossa Senhora da Conceição aos sábados, me lembra seu Zé Filintra dançando o coco e chamando pra dançar com ele as mulheres do salão. A Jurema me lembra todo esse sincretismo, todas as comunicações que culturas e crenças tiveram e se uniram num culto onde ambas não se excluem e convivem harmoniosamente em suas demonstrações rituais através de muita sabedoria.
Há quem apele para o “purismo”, há quem defenda a preponderância única de uma só raiz. Há quem não considere cultura como uma construção sempre em movimento, sempre andando de modo que sempre exista, sempre esteja presente no imaginário coletivo. Eu apelo, defendo e considero a Jurema. Do jeito que ela é.
Para mim, Jurema é assim: “quem nunca viu, venha ver” seus mestres, suas mestras, seus ensinamentos, seu gingado, suas cantigas, seus assuntos cantados. Assuntos sempre tão cotidianamente presentes nas nossas vidas. Cantigas que apelam para “sustentarmos o ponto” e não o deixarmos “cair”, e, caso ele caia, que consigamos erguê-lo novamente nos erguendo também. Cantigas que mostram o quanto de fortaleza e até certa brutalidade devemos ter para encarar esse mundo de gente, que mostram que “fumaças contrárias” podem chegar. Mas se por um lado elas enfatizam a necessidade do permanente cuidado com as intempéries, por outro, cantam o amor: o amor que quer se realizar, o amor que decepcionou, o amor que quer se vingar, o amor que fez chorar, o amor amante, o amor atrevido, o amor que recupera, o amor que corre atrás… E as mestras… Ah, estas são especialistas nisso.
Quem nunca dançou, venha dançar; quem não cantou, venha cantar; quem nunca bebeu, que venha bebê-la. O que os meus olhos veem e sentem não chegam aos pés da completude deste culto e por mais que eu conviva e que tenha sido cuidada pela Jurema desde antes de me entender por gente, ainda não consigo descrevê-la minuciosamente em sensações. Só sei que essas palavras juntas não refletem o meu sorriso e o mexido dos meus pés ontem.
Salve a Jurema Sagrada!





Amo a Jurema, amo minha cabocla Jurema e tenho saudades.
Portuguesa, bahiana, nordestina, sou tudo e nada sou. Sou eu. Sou assim
Amei a postagem e não perco a esperânça de, um dia, regressar ao Brasil.
meu amoricondicional para vós, irmãos d’além mar.
Salvé a Jurema, salvé a Juremá.
Salvé minha mãe Iemanjá, salvé meu pai Oxóssi e salvé meu pai Oxalá.
Olá, Dayane! Meu nome é Patrícia e estudo na Universidade Metodista de Piracicaba. A Universidade dispõe uma matéria chamada Teologia e Cultura na grade de todos os cursos visando abranger nossos conhecimentos sobre as religiões e as diferentes culturas. A classe foi dividida em grupos para que pudéssemos pesquisar sobre religiões distintas e depois passar nossos conhecimentos aos demais. Meu grupo ficou responsável pelo Candomblé e eu gostaria de saber se existe um e-mail que eu pudesse contactá-la com mais privacidade para pedir algumas informações sobre a religião.
Obrigada.
Gostei muito do texo, ele simplismente resume tudo que está presente no culto!
Amooo o culto a Jurema! Ah e as mestras? Eu acho que Elas são as entidades mais proxímas de nós, do nosso tempo!
Salve a jurema santa e sagrada!!!!
Bom dia, irmãos.
Bom resolvi mandar esse e-mail pra vcs pq estou numa situação meio confusa…
Sempre frenquentei a Umbanda e as entidades de lá nunca me falaram nada sobre eu ser medium de incoporação,
minha mãe de consideração é mãe de santo na Umbanda e as entidades dela nunca me disseram nada sobre incorporação.
De uns tempos pra cá conheci uma pessoa do Candomblé, um amigo que se tornou muito querido, um dia fui conhecer a casa dele,
e pedi pra que a entidade jogasse e visse nos buzios quais são os meus orixas e coisa e tal.
A entidade me afirmou que sou rodante e que portanto sou medium de incorporação, mas a partir dai comecaram as duvidas,
se sou rodante mesmo pq os guias de dentro da minha casa com a minha mãe nunca me falaram nada?
Aí comecei a frequentar essa casa de meu amigo no Candomble e um dia eles chamaram o meu exu, senti as pernas se balançarem sozinhas
mas ele só ‘veio’ na segunda tentativa, só que tudo eu vi e de tudo eu sei que aconteceu, ele me disse que era o fato de estar começando agora,
então o que eu gostaria é de uma terceira opniao sobre o assunto, se eu fosse rodante já não era pra eu saber na Umbanda ou o fato do Candomble ser uma outra nação,
os guias da Umbanda não poderiam saber se eu seria rodante ou não?
Ficarei muito grato se me responderem.
Axé!
Jorge,
Não é querendo lhe deixar mais confuso, mas entidades não jogam búzios. É inconcebível, é incoerente, é deturpação pura uma entidade jogando búzios.
A diferença entre Umbanda e Candomblé, no seu caso, não pode ser um motivo, pois quando você falou da incorporação do exu, imagino que foi de uma entidade e não de um orixá. Sendo assim, o Candomblé não cultua entidades, este culto é “emprestado” da Umbanda, portanto, “o pau que dá em Chico, dá em Francisco”, neste caso.
Ser rodante ou não não é algo mostrado de cara e não está nas mãos das mães e pais de santo definir isso imediatamente. Tempo é tempo e está bem acima de nós.
O conselho que lhe dou é que continue frequentando a casa onde você frequentava antes, converse sobre isso com a mãe de santo e não torne este assunto algo que fique martelando no seu juízo, pois incorporação é algo que requer cuidado, pois ela sempre pode limiar entre a incorporação de fato e a sensação anímica de se estar incorporado.
Axé.
Patrícia,
Existem algumas leituras que podem servir para o seu trabalho e as informações que você quer eu posso dá-las – caso eu tenha competência – por aqui, pois o máximo que podemos falar da religião ao público geral, já falamos por este meio.
Axé.
Lindo Texto Dayane, parabenizo a todos.
Sempre quando falam de Jurema eu sempre me emociono, por saber que desde nascença ela me aceitou e só agora homem feito vejo a riqueza dela. Adoro os Mestres, tenho imenso respeito pelo mestre Zé do Beco e seu Zé Pelintra. Ambos que me ensinam junto com a religião a ser uma pessoa melhor a cada dia.
Salve a Jurema Sagrada, o Angico e o Vajucá, salve senhores Mestres, Mestras, salve Rei Salomão salve o Rei Malunguinho.
ps.: aproveitando o momento, a quem quiser saber, sempre no mês de setembro que é quando a Jurema começa a florescer no sertão. Há um evento aqui no Recife, mais precisamente na cidade de Abreu e Lima. Aonde juntamos vários Juremeiros e Juremeiras e várias casas para saudar os Caboclos, Caboclas, Índios, Mestres, Mestras. É um evento aberto.
Olá, Dayane.
Gostaria de saber se você poderá me ajudar…
Você recebeu as questões a serem abordadas?
Obrigada.
Vi o e-mail hoje, desculpa! Obrigada pela recomendação.
Patrícia a Dayane não está podendo disponibilizar suas respostas.
Ela está muito atarefada com Faculdade, trabalho e outras atribuições.
Ela tem vindo pouco aqui no blog.
Creio que você deva ter lido a resposta que lhe enviei sobre fontes de pesquisa.
Ire o.
Olá! Recebi sim, muito obrigada!
Ainda assim, gostaria de saber se devido a impossibilidade da Dayane me ajudar, algum dos colaboradores do blog poderia fazê-lo se não em todos os tópicos pelo menos em alguns.
Obrigada.
Patricia suas perguntas deveriam ser gravadas pois não há como colocar em um paragrafo.
São perguntas que demandam bastante tempo, não são de simples respostas.
Melhor fazer como lhe disse e boa leitura.
Ire o.
Que saudade dessa moça Dayanne… Que bom Minha querida que gostou da jurema e relembrou muitas coisas da vida. Salve a Jurema e salve a fumaça! Salve o Catucá!
Jurema nasceu em alhandra la existe 7 cidades sagradas da jurema dos mestre
E uma ciencia dos mestres das mestras encantados que descem no culto de jurma apesar de comparar com umanda a meu ver no nordeste e culto bem diferente que tem que ser iniciado como camdomble para ser da comunidade de jurema mas como a umbanda soma tudo ….. lembrando tambem que dela tambem tem indios como jacira, joao das matas , as maiores mestras da jurema sao luziaria , ritinha, paulina e outras salve todas as mestras e mestres como mestre carlos que subiu e raro descer, quebra ,pedra galo petro, ze da hora , ze daa virada, ze pilintra e outros salve os mestres….. e um culto magico que deve ser separado do ambiente de candomble um salao separado com quarto de jurema …..
É esta a maravilha em que creio: mestras e mestres de LUZ.
A MINHA HUMILDE GRATIDÃO.
Existem sim pessoas que rodal sem mesmo dar obrigacoes…..
Maas pra mim saber mesmo se e rodante ou naao e no ronko que vem os segregos os efuns os oros tudo a base de segredo no ronko se. Bolar e rodanteeponto final. …
gostaria de saber se depois de fazer iniciação terei que deixar de comer várias coisas, pois sou pobre e não tenho muitas escolhas de alimentação
gostaria de saber se entidade ve no copo de agua de vidência
Bete quem vai lhe responder é o sacerdote.
Ire
Bete eu vi uma Cabocla a muitos anos atrás fazer isso.
Hoje em dia eu não vejo mais.
Os sonhadores, os que veem em copo d’água, borra de café e etc., estão citados nas escrituras sagradas de Ifá, dentro de um Amulu de Ogbè.
Chama-se Adahunse, se ele estiver falando a verdade é válida a consulta.
Ire
ola dayane eu vi seus depoimentos aqui amei eu acabei de faser minha jurema e muito lindo ser uma juremeira quero mi aprofunda mas salve tdos os mestres juremeiros
Salve! 🙂
Amei o relato.
Infelizmente algumas pessoas dessa nova geração está denegrindo a linda imagem do Culto à Jurema, tão brasileira como todos nós. Nossa luta é incessante, contra essas pessoas que nem merecem ser incorporadas por uma das divinas entidades de Jurema.
Saravá, Jurema Sagrada!!