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Archive for the ‘Candomblé’ Category

UMA DEFINIÇÃO DE ODU.

Tão importante quanto nosso Òrìşà, nosso Odu tem importância fundamental em nossas vidas. Este texto esclarece como Odu é fundamental em nosso destino.

Há no Brasil uma grande curiosidade das pessoas em conhecer o Òrìşà de cabeça; quem é seu pai ou sua mãe. É compreensível. Creio, porém, que não devemos perder a dimensão de que é mais importante conhecer o odu pessoal que o Òrìşà de cabeça. Vou tentar explicar a razão. Vamos ao primeiro passo.

Odu é uma espécie de signo que rege o nascimento de cada pessoa. A tradição iorubá aponta a existência de 16 Odus principais, cujas combinações perfazem 256 odus. Cada um de nós é regido por um desses Odus ou omó Odu. Cada odu é composto de uma infinidade de poemas, relatando a história da criação e o papel que os Òrìşà e uma série de outras espiritualidades exerceram nessa história primordial. O conjunto dos odus forma, então, o texto canônico sobre o qual se sustenta a tradição de Ifá.

Dentro dos odus estão os caminhos e as possibilidades que cada um de nós carregará para o resto das vidas. Nesse sentido, odu é o destino possível de cada um. Meu odu, por exemplo, contém as coisas que devo evitar os eventos que podem colocar em risco a minha vida, as comidas que me fazem bem, as comidas que me fazem mal, minhas aptidões profissionais, minha relação com meus ancestrais, as folhas que me curam, as folhas que me matam, os ebós que me salvam os Òrìşà que me acompanham… O que salva, no meu odu, pode matar, no odu de outra pessoa. Nenhum homem escapa ao seu odu. Vive os caminhos ire (positivos) ou ibi (negativos), mas não escapa. Odu é o designo de Olorum, o deus maior.

Em cada odu, os poemas relatam as histórias dos orisás e de outros elementos encantados da natureza. Eu, por exemplo, sou filho de Ogum. No meu odu, Ogum não aparece como o guerreiro violento e conquistador. Ogum surge como o inventor do arado; agricultor e mestre ferreiro. A tendência é que a energia de Ogum se manifeste na minha vida dessa forma mais branda.

Tenho irmãos de Ifá filhos de Ogum que, entretanto, possuem odus onde os poemas que envolvem o Òrìşà falam de violência e guerra. É assim que a energia de Ogum pode se manifestar para eles. Não se compreende a natureza do Òrìşà de cabeça sem o conhecimento do odu e dos caminhos em que nele o Òrìşà se apresenta. Para efeito de comparação, quem conhece apenas meu Òrìşà sabe em que cidade eu moro. Já é muita coisa. Quem conhece meu odu pessoal, com seus caminhos, e sabe como a energia do meu Òrìşà se manifesta nele, tem uma cópia da chave da minha casa.

Não se faz – ou não se deveria fazer – santo na cabeça de uma pessoa sem o conhecimento prévio do odu da mesma. Exemplifico. Digamos que o Iywao que vai se iniciar seja filho de Sòngo. Há um dos 256 odus – daqueles famosos, que todo babalawo conhece – em que Ifá revela que a energia de Sòngò é forte demais para ser consagrada na cabeça de alguém. A simples menção do nome deste odu evoca os poderes do fogo. Imaginem raspar Sòngò no ori de um noviço que seja desse signo. Não se raspa em nenhuma hipótese. Assim Ifá ensina assim o sacerdote deve agir. Osa Irosun nos diz em um de seus versos: Só Orunmilá pode revelar o Òrìşà de cabeça de cada pessoa e só Orunmilá pode determinar que orisá deva ser consagrado na cabeça de cada um. É por isso que conheço exemplos louváveis de grandes Bàbá/Iyàlorisá que não fazem Òrìşà na cabeça de ninguém sem antes consultar um babalawo, para confirmar se os procedimentos litúrgicos adotados estão de acordo com as ordens do único Òrìşà que pode estabelecer isso: Orunmilá.

Após essa rápida introdução, surge a dúvida: como se revela o odu de cada um?

Texto compilado na net sem autoria na fonte pesquisada.

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Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente.

Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes.
No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo. 

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Nos dias de hoje vemos várias situações em que a gratidão fica esquecida em alguma gaveta que pouco abrimos, esquecemos de agradecer pela manhã o maior presente que Olodunmarè nos deu:  A Vida. Esquecemos de dar graças. Esquecemos de tanta coisa…

O Odu Oturá-Ireté vem nos brindar com sua infinita sabedoria em um dos poemas do Profeta Òrúnmìlá.

Devemos refletir sobre este tema, onde o que mais importa e creditar-mos  pontos e nos preparar  para nossa volta.

Odu Oturá – Ireté.

Ifá disse: Dê graças.

Eu digo: devemos dar graças. Devemos ser agradecidos. Devemos dar graças.

Ifá disse a Eku, o rato, que fosse agradecido.

O rato disse: Não há nenhuma razão para ser agradecido.

O rato foi consumido pelos humanos.

Ifá disse:  Dê graças.

Eu digo: Devemos dar graças. Devemos ser agradecidos. Devemos dar graças.

Ifá disse ao pássaro que fosse agradecido.

O pássaro disse: Não há nenhuma razão para ser agradecido.

O pássaro foi consumido pelos humanos.

Ifá disse: Dê graças.

Eu digo: devemos dar graças. Devemos ser agradecidos. Devemos dar graças.

Ifá disse ao peixe que fosse agradecido.

O peixe disse: Não há nenhuma razão para ser agradecido.

O peixe foi consumido pelos humanos.

Ifá disse: Dê graças.

Eu digo: devemos dar graças. Devemos ser agradecidos. Devemos dar graças.

Ifá disse ao frango que fosse agradecido.

O frango disse: Não há nenhuma razão para ser agradecido.

O frango foi consumido pelos humanos.

Ifá disse: Dê graças.

Eu digo: devemos dar graças. Devemos ser agradecidos. Devemos dar graças.

Os humanos são os que demonstram gratidão a Olodunmarè.

Quando abrir a boca. Sai de dentro uma canção que diz:

Deste modo dou graças.

Òrúnmìlá.

Deste modo dou graças.

Quando a alguém se faz um favor.

O que recebe deve demonstrar gratidão.

Deste modo dou graças.

Por: A sabedoria infinita de Òrúnmìlá.

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A tendência para se associar é muito acentuada entre os Yorubas. Revela a constante intenção social de se protegerem os interesses mútuos, em setores diversos, tais como: economia, religião, lazer, etc. O caráter associativo tem sido tão forte entre os Yorubas que mesmo os escravos tinham sua organização própria. Evidentemente, esse tipo de associação não era incentivada pelos patrões.

Em cada cidade, os sacerdotes de cada Orixá formam uma associação. Os objetivos principais de cada associação é estabelecer um padrão nas consultas a seu Orixá, especialmente em situações críticas, como guerra, seca, pestilência, escolha de novo Rei, etc. Na prática, toda associação religiosa possui fins políticos. Indicam candidatos às eleições a chefe de Estado, que sempre são os próprios chefes-sacerdotes das associações. São elas, outrossim, que fixam as datas anuais de festividades em homenagem a casa Orixá.

É interessante observar que não há concorrência entre as associações, estando elas sempre unidas no ideal de resolver os problemas comunitários. Elas se servem umas às outras de maneira a propiciar sempre novas idéias.

Além das associações religiosas, supra-citadas, é interessante mencionar agremiações profissionais. Homens e mulheres Yorubas se organizam profissionalmente em corporações de ofício. É proibido abrir um negócio sem a permissão da associação correspondente. No entanto, não há restrições para entrar de sócio, bastando, para tal, pagar uma taxa sob forma de bebidas. As associações que possuem um Orixá como ente supremo realizam a cerimônia de aceitação de novos sócios no santuário do Orixá. Uma associação de ferreiros, por exemplo, exige que o candidato a sócio compareça com seu pai ao santuário de Ogun, Orixá dos ferreiros e guerreiros. Lá anuncia-se a intenção do interessado em aprender a profissão.

A associação mais interessante, entretanto, é a sociedade secreta Ògboní, que existe por toda parte dos Yorubas. Originou-se em Ilê Ifé, local tido como berço de todo o povo Yoruba. É necessário um Rei forte para que a sociedade se submeta ao mecanismo central do Estado e sua influência seja mitigada. Há locais, no entanto, como as cidades de Ijebu e Egba, onde os grupos políticos são por demais pequenos para que a sociedade se desenvolva suficientemente.

Ògboní, conhecida por Osugbo em Ijebu e Egba, foi fundada antes do advento do Cristianismo e exerce até hoje grande influência entre os Yorubas. Na ocasião da iniciação, revela-se ao neófito a senha secreta. Não é dado a um profano assistir a uma procissão da sociedade e nem a um funeral de um membro da sociedade.

Ao ouvirem o grito “he-e-pa”, os não iniciados devem se esquivar do caminho de passagem da sociedade, escondendo-se no local mais próximo. Na ausência de esconderijo adequado, as pessoas devem simplesmente cobrir o resto a fim de não olhar para os membros da sociedade. Durante a passagem da sociedade, é função de um membo dar o sinal sonoro para assustar os transeuntes. Qualquer não-iniciado que cair nas mãos da associação deve pagar uma multa pesada para, então, ser admitido nos mistéwrios da entidade. Esses mistérios constituem no uso de partes de corpos humanos em rituais de fraternidade.

Ògboní se intromete em qualquer desordem de âmbito político e social. Está ligada a outras organizações, como Eluku e Orò, para as quais mulheres não são admitidas e que realizam seus próprios julgamentos de criminosos. Em casos especiais, como ofensas políticas, pode hver execuções na própria sede Ògboní. Eluku e Orò diferenciam-se pelo fato de que esta amedronta as mulheres.

Os diretores da sociedade passam por um rodízio na cobrança das taxas dos demais membros. Em caso de morte de um sócio, Ògboní oferece uma cerimônia na residência do defunto e na sede e providência seu enterro. Como isto envolve muitos gastos, a família do morto deve providenciar os meios necessários para o funeral. Enquanto isso, ainda o morto permanece em seu quarto. Quando a família pode prover os meios imediatamente, ainda assim, só se executa o entero da pessoa sete ou nove dias após sua morte.

Durante as festas na sociedade secreta, fazen-se as instalações dos oficiais. É curioso como os diretores, com o finalidade de angariar fundos para a própria sociedade, buscam encontar nos sócios pequenas falhas na execução da ritualística ou na vestimenta, de maneira a poder cobrar-lhes a multa correspondente.

Quanto um membro de Ògboní morre, seu corpo é levado pela fraternidade. Se os filhos do morto não são iniciados e desejam conservar o corpo do genitor, devem pagar uma soma em dinheiro à sociedade.

Bibliografia: Nigéria, Cultura do povo Yoruba.
Professor Michel Ademola Adesojí

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6.000.000!

Hoje chegamos à marca dos 6.000.000 de acessos. Esta quantidade de acessos demonstra o quão carinhosamente este projeto foi planejado pela Manuela e o quanto os adeptos e simpatizantes da nossa religião precisam e buscam conhecer elementos presentes em suas raízes.

O tempo da senzala já se foi e hoje nós podemos – e lutamos por este direito – professar a nossa fé, além de buscar informações e dividir nossas visões sobre os temas sempre recorrentes na nossa caminhada religiosa sem amarras e sem medo.

Este espaço é nosso e com o tempo que tenho aqui até me arrisco a dizer que é abençoado pelos Orixás 🙂

“Felizes os que observam o passado para poder caminhar no futuro”. Augusto Cury


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Mostraremos neste trabalho os crimes de costumes na sociedade Iorubá, vamos exemplificar inicialmente estes e posteriormente veremos outros, onde Òrúnmìlá, nos mostra através de seus Poemas Sagrados, Eses ou Escrituras, as punições, aplicadas por suas sociedades secretas, pertinentes a cada caso. Vale a pena refletir sobre estes casos que nos remetem ao nosso dia-a-dia.

Ire o.

Na sociedade tradicional Africana o sagrado e o secular são inseparáveis. Não há compartimentalização da vida. O que a religião proíbe ou condena a sociedade também proíbe e condena, e da mesma forma a sociedade aprova as coisas que a religião sancionou. Uma ofensa a Deus é uma ofensa contra o homem, de forma que um crime contra o homem é uma ofensa contra Deus, pois o homem é uma criatura de Deus. Qualquer ofensa é crime.
A religião tradicional africana não tem documentos legais escritos mostrando o que é legal ou ilegal, mas a tradição africana tem um código de conduta que todos conhecemos. Este código norteia os indivíduos a viver em conformidade com o bem-estar da sociedade. Os componentes deste código foram transmitidos oralmente de geração em geração. As ações penais incluem o adultério, a violação do pacto, roubo, prostituição, incesto, seqüestro, irreverência e mau tratamento e violência contra os pais, mentira, assassinato, estupro, sedução, falar mal do governante ( Rei ), jurar falsamente, sodomia e malícia (dissimulação). Todos os atos proibidos ou profanar segredos são crimes na Religião Tradicional Africana (TRA) e qualquer pessoa que cometer qualquer um deles é considerada como um criminoso e é punível. Um comportamento anormal que não esteja em conformidade com as normas da sociedade são atos criminosos. Não poderemos lidar com todos eles neste trabalho, mas devemos discutir alguns.

Adultério O adultério é a relação sexual entre uma mulher casada e qualquer outro homem que não seja o marido, ou entre um homem casado e qualquer outra mulher que não seja a sua esposa. Aplica-se igualmente a uma mulher prometida em casamento. É considerado um crime ultrajante, golpeando a norma da sociedade e quando resulta em concepção (filho), que inflige uma prole espúria sobre o marido (os filhos são mal ditos). A estrutura de parentesco de nossa sociedade torna crime o adultério não apenas contra o marido como um indivíduo, mas também contra as pessoas com quem o marido está na relação. O casamento é uma cerimônia social na comunidade tradicional onde os valores sociais são reafirmados.
O adultério é também uma ofensa contra os objetos religiosos do marido, inclusive seus ancestrais (Egungun). Além disso, é um ato criminoso contra os òrìsás, porque o casamento no contexto tradicional é uma instituição sagrada, sancionada por eles, e qualquer ato de infidelidade no convívio matrimonial do casal é punido por seres sobrenaturais (energias celestes). Desde o início do namoro, os rituais religiosos são realizados para estabilizar e santificar a relação; ancestrais e divindades são consultados e pede-se o seu apoio. Normalmente, a esposa de um adepto da religião tradicional é, por assim dizer, “a mulher dos deuses” Ela é recomendada para o cuidado e proteção dos seres sobrenaturais e ela deve ser fiel. Rituais e cerimônias acompanham ou seguem a ocasião do casamento. O objetivo destas é rezar para o bem-estar de novo casal, para abençoá-los assim que eles vão ter filhos eles também recebem instruções e regras sobre como se comportarem como pessoas casadas. Nesses rituais, o Deus vivo (òrìsá) e morto da família (ancestral) podem ser chamados para testemunhar a ocasião e dar as suas bênçãos para o novo casal.
Na África tradicional não é conivente com o adultério, é uma violação das normas sociais e religiosas e que gera uma relação doentia e prejudicial à sociedade, uma relação que pode arruinar o total bem-estar do povo.
O adultério é visto com grande preocupação e a punição e muito séria. O adúltero pode ser advertido e comunicado em primeira instância pelos lideres, mas a persistência no crime o leva ao tribunal presidido pelo chefe tradicional ou sacerdote. O adúltero também pode ser agredido ou punido com a morte por envenenamento ou ser impotente (feitiço). A morte de uma pessoa adúltera é visto como um castigo justo e não é muito lamentada.
Entre os iorubás o oráculo de Ifá adverte contra o adultério como segue:
Ela destrói os membros da família do marido,
Ela destrói os membros da família da concubina.
Posteriormente, ela destrói a si mesmo
e continua a viagem até o céu (condenação a morte).
Assim diz o oráculo à mulher (ou homem) adúltera, é um servo da morte (Ikù).
O que é verdade para o povo da religião tradicional na África, não é tão verdade assim para outros povos. Além disso, o sistema de Ifá serve como porta-voz da escritura sagrada da tradição iorubá, assunto que tem sido pesquisado por eminentes cátedros, não só entre os iorubás, mas também entre outros povos da Nigéria e em alguns países do Oeste Africano, como Serra Leoa, República da Benin, Togo e partes da costa de Gana.

Mentira. Mentir é uma tentativa de enganar, falar o que não é verdade. É proibido na religião tradicional e qualquer um que o pratique é um motim único, é um crime contra seres humanos, mas também contra os seres sobrenaturais (energias celestes). Os africanos tradicionais ensinam seus filhos a sempre dizerem a verdade, porque eles acreditam que um mentiroso é propenso a outras formas de atos criminosos, como roubo, furto e etc. O ditado “Quem mente, um dia vai roubar.” É um ato comum entre algumas pessoas, esconder a mentira é considerado muito vergonhoso, particularmente quando a verdade é descoberta. Como o adultério, a mentira arruína. Ambos são por vezes considerados como hereditário. Os africanos tradicionais invocam maldições sobre os mentirosos, enquanto as divindades também os condenam. Mentir é um crime contra o coletivo. Sobre a mentira o oráculo nos adverte através do Odu Ogunda Bede (Ogunda’ogbe):
O enganador… Foi à uma viagem de vinte meses e nunca mais voltou. (morreu)
O mentiroso foi em uma viagem de trinta meses e nunca mais voltou. (morreu)
Assim, o oráculo avisou aos enganadores e mentirosos, quando eles estavam indo em uma viagem.
Eles foram avisados para não enganar ou trair os outros em terra estrangeira.
Retidão alertou (a verdade), mas eles nunca deram ouvidos à advertência.
O alerta foi dado por causa do futuro. A vingança pertence ao Todo-Poderoso, o Rei (Olodunmarè) que recompensará a todos segundo as suas obras (ações).
Deus sabe a verdade e vai dizer que você mentiu. Chamar de vermelho que é branco e branco o que é vermelho para seu próprio beneficio, fere outras pessoas.

O Odu Aji-Oghe no oráculo nos fala obre os mentirosos e mentiras:
Aqueles que chamam efuru e dão esuru, tudo bem,
Nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, os que chamam uma folha de iroko de folha oro tudo bem,
Nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, aqueles que chamam de rola uma pomba de madeira, tudo bem, nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, aqueles que chamam de azedo o que é doce, tudo bem, nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, assim diz o oráculo para os mentirosos e enganadores.
(Deus enxerga a verdade no coração das pessoas.)

O Odu Obará-meji diz:
Mentir não impede de se tornar rico.
Quebra de aliança (traição), não impede de chegar à terceira idade (ter vida longa).
Mas o dia da morte trará retribuição.
Os africanos tradicionais pensam muito sobre o futuro. Eles sabem que os mentirosos vão sofrer durante e após sua morte, eles tanto quanto possível, mantém-se longe do que vai levar a tal sofrimento.
Mesmo quando os seres humanos são enganados, Deus vê os mentirosos e conhece a verdade ( a verdade está dentro do coração e Deus vê dentro coração) e vai puni-los adequadamente. Os africanos tradicionais temem a ira de Deus que conduz à miséria e a desgraça. Eles preferem o prazer divino a ira divina e preferem as bênçãos divinas ao castigo divino. Quando os africanos dizem: “Deus julgará”, é como se uma máquina estivesse em movimento dentro dele e o faz confessar que mentiu. Ele pode ser solicitado a jurar, e desde que ele saiba que jurar falsamente vai trazer graves repercussões, ele será imediatamente convocado a se retratar.
Os deuses não suportam a mentira ou falsidade. As divindades da religião tradicional da África intimam seus fiéis para contar a verdade em todos os momentos e prometem o seu apoio à verdade.

O decreto é expresso no oráculo Ejiogbe-meji:
Seja sincero, seja justo!
Ah, seja verdadeiro. Seja justo!
É o que verdadeiras divindades apóiam.
Seja sincero, seja justo!
Apesar da mentira, ser um mal comum, os africanos tradicionais que cometem mentiras às divindades serão punidos. A ira divina, que é insuportável, é um grande fator na prevenção deste crime.

Roubo
Entre os africanos tradicionais é vergonhoso roubar. É considerado um crime na comunidade. Um ladrão é uma vergonha para seus parentes. Os africanos fazem ritos tradicionais para detectar o ladrão e recuperar os bens roubados (o Awo é convocado para jogar e faz magias poderosíssimas). Eles são punidos pelo tribunal ou pelas divindades e em alguns casos, os ladrões são revelados publicamente pelos deuses ou confessam publicamente e restituem os bens roubados no mesmo lugar onde ele possa ser visto pelo povo. Isto é uma conseqüência do poder/ira divina que faz o ladrão sofrer fisicamente ou internamente (magia).
Ele também pode ser submetido a uma tortura prolongada, doença, paralisia, cegueira parcial, a ponto de adivinhos serem consultados para saber a causa de seu infortúnio. Quando ela é atribuída ao ato de roubar, os bens roubados devem ser devolvidos e será oferecido um sacrifício propiciatório (buscando-se o perdão divino ou aplacar sua ira).
Roubos mancham a reputação e a integridade da família do ladrão, e os africanos tradicionais se esforçam muito para proteger o bom nome e a imagem de sua família. Mesmo uma família irreputável não vai querer ver seus filhos serem acusado de roubo, porque os atos criminosos trazem vergonha para seus pais. E quando membros desta família são convocados para cargos e títulos de honra a mancha pelo filho ladrão os desqualificaram para o posto de honra. Referências sempre serão feitas aos crimes anteriormente cometidos por pessoas desta família. Os africanos tradicionais nunca irão nomear um ladrão ou mentiroso ou adúltero como ser um líder ou governante. O preço desta nomeação recairia como um castigo divino sobre toda comunidade e ele não serviria como uma força adequada.
Roubar é não apenas imoral, ou um crime social, é também uma ofensa religiosa punível por Deus.
O Odu Ogbe’ale adverte contra roubo:
Se o rei terreno não te vê, o rei celeste está olhando para você (Olodunmarè).
Assim diz o oráculo para aquele que rouba acobertado pela escuridão,
que diz que o rei terreno não vê.
Deus vê o ladrão e certamente irá puni-lo.
“ Vendo” aqui, não significa mera aparência, mas “vendo” será a punição.

Maus tratos e crueldade com aos pais.
De acordo com a religião tradicional, os pais, depois de dar aos seus filhos uma boa formação. Cuidados até a emancipação e prepará-los adequadamente para vida, esperam que os filhos mostrem a verdadeira devoção e cuidado para com eles, independentemente se os pais são ricos ou pobres, letrados ou analfabetos. Tal devoção ao cuidado dos pais é obrigatória e se for concedida, é uma das melhores formas de oração é o caminho mais seguro para a paz, o sucesso e satisfação dos filhos.
Acredita-se que tudo o que uma criança pode atingir e se qualificar na vida, os pais são responsáveis e se ele não conseguir honrar seus pais, ele cairá da altura que subiu e sua vida será desprovida de paz e satisfação. Os pais devem ser tratados e considerados como deuses, reconhecido e “adorado”. É a vontade de Deus que os pais devam ser venerados e reverenciados, e qualquer sociedade onde os filhos desprezam e negligenciam seus pais, os filhos não terão as bênçãos de Deus. É a majestade de Deus que é desonrada e violada. É um crime capital para um filho não cuidar de seus pais, é proibido jogar maldição em cima de um pai ou mãe. Insolência para os pais pode ser tolerada, mas é um ato criminoso. Punição para a irreverência e a crueldade aos pais inclui: tanto a ira dos pais como a ira de Deus, que certamente vai causar um desastre na vida do filho. Em casos graves, como previsão de um desastre tem que ser retirado da vida do filho através de oferendas e sacrifícios.

O Odu Irete Eguntan no oráculo diz:
Respeite sua mãe e seu pai,
que você pode viver muito tempo na terra. (vida longa)
Ifá diz para oferecer sacrifício (ebó) a sua mãe e seu pai,
o sacrifício de justiça, cuidado e humildade.
Você pode se regenerar.
Ifá diz oferecer sacrifício a sua mãe e seu pai, o sacrifício da obediência cega, de cuidados, para que as maldições nunca possam cair sobre você.
Pois as maldições de seu pai e sua mãe são as maldições do Todo-Poderoso.
Ifá diz oferecer sacrifícios ao seu pai e sua mãe,
o sacrifício da ajuda, do amor, da justiça, que você possa ter descanso,
que você possa ter conforto.

No mesmo Odu, Orunmila diz:
Meus pais não irão trabalhar em vão por mim.
Eu nasci, porque minha mãe tem a boa sorte.
Eu nasci, porque meu pai tem a boa sorte.
Ela me deu à luz; meus braços não foram queimados.
Eu não nasci cego.
Eu não nasci um leproso.
Eu também quero dar a luz a meus filhos,
para que eu possa ter descendente.
Eu quero ter casas.
Eu quero ter prospriedade.
Eu quero ter dinheiro. (na visão ioruba isto não é errado)
Eu não quero trabalhar em vão pelos meus filhos.
Eu vim ao mundo por causa de sua boa sorte.
Eu quero fazer o bem na minha vida.
Meus pais não irão trabalhar em vão por mim.
Os versos acima ensinam aos filhos o verdadeiro conhecimento do que é servir aos seus pais. É claro que isso não se limita aos pais biológicos, mas abrange a todos os membros idosos da família. Qualquer ato de negligência no dever em relação aos pais ou membros idosos da família é considerado como um ato de negligência do dever. Deus vai puni-lo com o infortúnio (perdas). Por medo da desgraça, os filhos evitam cometer este crime e levam a sério os deveres para com os pais e os membros idosos da família.
Para se ter uma sociedade disciplinada e educada a religião tradicional impõe aos pais o dever de educá-los, respeitar os anciãos e não ser desobediente com eles. Se cuidarem bem deles, ele vai estar bem com a família e com Deus.

O  Odu Iwori-Meji  diz:
Se uma criança respeita o seu pai, tudo o que ele receber será sempre bom.
Ele vai ser um perfeito cavalheiro. ( bom homem, bom pai e bom chefe de família).

O Odu Obara Meji condena o orgulho, a arrogância e desrespeito dos jovens:
Se uma criança se entrega a atos teimosos,
se ele vê um sacerdote idoso e lhe dá uma tapa,
se ele se depara com um médico (Onisegum) envelhecido e bate nele sem piedade,
se ele continua, os sacerdote idosos se reúnem para derrubá-lo, (enfeitiçá-lo)
assim diz o oráculo para os filhos desobedientes.
“Quem diz que ninguém pode controlá-lo?”
Orunmila diz:
“Você não sabe que não há vida longa para qualquer filho que bate em um pai idoso,
não há vida longa para qualquer filho que bate em um médico envelhecido.
Qualquer criança que maltrata um pai idoso, está em busca de sua própria morte.
Respeito pelos mais velhos significa vida longa. ”
Estes versos ensinam que a morte prematura dele é uma punição para o desrespeito aos mais velhos e uma vez que os africanos tradicionais querem viver por muito tempo eles devem respeitar os idosos. Sinceramente, os africanos tradicionais vêem no respeito aos anciãos, um dever, o de fazer o que não agrada somente aos homens, mas também a Deus. Daí eles se prostrarem perante os mais velhos, abra sua cabeça, remova as sandálias (seja humilde), quando cumprimentá-los e ajude os anciãos a transportar cargas e seus recados. A aceitação infeliz de culturas estrangeiras em grande parte modificou os filhos neste aspecto. O africano no tocante ao respeito pelos mais velhos ao que parece estam se movendo dentro de uma dupla cultura e ficando muito confuso. É como um africano jovem dizer “Olá” a seus pais ou apertar a mão a pessoas idosas (atitude considerada ultrajante).

Falar mal das pessoas idosas. O Governo Africano Tradicional é Teocrático, e os governantes são considerados representantes divinos e assim todas as palavras de censura contra eles são proibidas. Conspiração ou desrespeito contra os governantes é considerado um delito grave e será seriamente tratado. Não pode, evidentemente, um movimento contra um governante que é considerado um tirano, cujo reinado se revela desastroso para o povo ser um ato de desagravo. Os chefes tradicionais são sagrados e quem os desobedece ou é rude com eles é multado, advertido ou expulso da cidade e finalmente, o infrator tem o compromisso do castigo divino. Por absoluta fidelidade e obediência implícita aos governantes,

Odu Oturupon-meji diz:
Os juízes da coroa usam coroa na cabeça.
Os lábios do filósofo desafiou outro filósofo.
Demasiadamente sábio recusou-se a respeitar do rei. (arrogancia)
Assim diz o oráculo para os desobedientes:
Eles foram convidados a fazer sacrifício, para que a espada do Rei não lhe sugue o sangue.
Eles se recusaram e não ofereceram sacrifício.
Orunmila exclamou:
“É proibido”.
Exclamei:
“É proibido”.
Ele exclamou:
“É um tabu.
Exclamei:
“É um tabu”.
Orunmila disse que o rei terreno é o representante do Rei celestial.
Orunmila, exclamou:
“À esquerda comigo.”
Eu exclamei:
“resta-me, a espada sugar o sangue daqueles que desafiam o rei. ”
Para o rei pertence à autoridade.
Para o rei pertence à espada.
Então, vá com calma, eu digo, vá com calma, sob pena de uma sabedoria vaidosa empurrar alguém contra o rei da espada.
Então vá com calma, eu digo, vá com calma.
Fiz sacrificado, ebó me propiciou.(me salvou).
Tenho defendido o direito do rei.
O rei não podia deixar de me ver com misericórdia,
O rei não podia deixar de me ver com bons olhos.
A posição dos governantes e autoridades é semelhante em toda a África. Ambos são altas figuras políticas e religiosas. Eles derivam sua autoridade do Ser Supremo, e assim por desobediência ou qualquer conspiração contra eles é visto como um crime contra a sociedade e contra Deus.
Qualquer um que seduzisse as esposas dos governantes seriam executados. Os reis eram pais, juízes, conselheiros e sacerdotes.
Conclusão:
Ao lidar com eles, a força era muito utilizada. Mesmo assim, não há evidências de que os estes crimes tenham sido totalmente eliminados. O uso da força foi eficaz até certo ponto, mas outros meios mais eficazes foram utilizados.
Estes incluem o envenenamento que causa sofrimento ao longo da vida como a loucura, impotência. Doenças incuráveis, como a elefantíase, a cegueira, inchaço e claudicação, que pode torná-lo um inútil em sua comunidade e servir como um elemento intimidador para os outros. O uso desses espalhou o medo nos criminosos.
A sociedade tradicional em sua forma original é sólida, pois foi construída sobre uma base moral fornecida pela religião tradicional. Esta religião incutiu o bom comportamento em pessoas que fizeram uma nação verdadeiramente grande. A ira divina e castigo foram feitos reais. A lei da retribuição foi enfatizada. Hoje a mentira, a desonestidade, a hipocrisia, o suborno, a corrupção, a traição, o crime e toda sorte de homens desviados do Iwà Pèlè (bom caráter), nao prosperam na África porque as pessoas religiosas não levam os preceitos da sua religião muito a sério. Eles estão mais preocupados com a indústria, a vida da cidade, as coisas materiais e a educação. Sem a percepção da verdadeira religião, será difícil se erradicar o crime em qualquer sociedade.

Texto garimpado na net, sem autoria.

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Ikú é um Orixá

Ikú, a Morte é um Orixá, designado por Olodumare para uma função derradeira. Existem e são raríssimas, pessoas de Ikú que, evidentemente, não são iniciadas, cumprem normalmente seu destino e tem funções específicas num Ilê Axé.

Oyekú Mejí é primeiro caminho à terra, quando o Odú Oyekú Mejí chegou à Terra, a morte ainda não existia. Orixá Ikú (morte) nasce nesse caminho para cumprir sua função na Terra, Opirá. (FIM).

Oyekú Meji representa essencialmente a Morte, a profunda escuridão, representa também o lado esquerdo, o este e o princípio feminino.

Ikú vem buscar a pessoa no dia derradeiro e esteja nas condições que estiver, para levá-la de volta ao interior da terra, ao ventre de Nanã.

Ikú cumpre rigorosamente sua função e somente aqueles que conhecem os omo-odús de Oyekú Mejí, poderá conversar com a morte, e por um breve tempo. Somente através do Imolê Exú e num determinado Odú é e que se faz oferendas a Ikú, estabelecendo pactos e acordos com Ikú para adiar e afastar a morte, aliado aos bons ebós.

Pai Agenor dizia que: a troca pela vida, através de oferendas, é o ponto central do culto aos Orixás, a vida, nada mais é, que a mais valiosa de todas as trocas e também a mais cara.

As trocas não são eternas, chegará o dia que Ikú terá que cumprir sua função e ainda exigirá oferendas, para garantir que só levará apenas um. Há casos famosos de zeladores que depois de mortos, Ikú voltou algumas vezes para cobrar sua oferenda e não encontrando levava seus filhos, acabando muitas vezes, com a casa de candomblé.

Com Ikú não se brinca, quando Ikú chega o nosso Orixá não está mais conosco, sabe que já cumpriu sua função e somente Orí acompanha a pessoa até o fim.
Axé.
Fernando D’Osogiyan

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