
Podemos afirmar que o Candomblé é uma religião que cultua a natureza, sendo que os nossos Òrìsàs possuem o domínio sobre cada elemento: água, terra, ar, fogo, etc. Nossos cânticos evocam os poderes das águas dos rios, lagos, poços e oceanos. Nós reverenciamos a chuva, tão sagrada e especial. Os Òrìsàs se comunicam por meio do bril…ho do raio, pelo som que brada do trovão. Òsùmàrè desenha o céu com as cores do arco-íris. Òsanyìn está vivo em cada planta, desde a mais singela à mais frondosa, onde habita Iroko Oluwere Baba Igi. Obaluwaiye está vivo no redemoinho, na sagrada terra em que os grãos de Òrìsà Oko se multiplicam, enfim, os Òrìsàs e a natureza se misturam, se confundem, se completam. Mas, apesar de tudo isso, estamos sabendo como preservar essa natureza tão rica e essencial para a sobrevivência da nossa religião?
No último mês, quando da realização de uma obrigação em uma cachoeira, nosso querido Pai Pecê, ficou assustado e muito decepcionado com a quantidade de materiais que agridem de forma brutal a natureza, depositados naquele local, como se fosse uma espécie de lixão. Naquele espaço, que temos como sagrado, onde a natureza deveria ser ovacionada pelo nosso povo, encontravam-se centenas de garrafas, plásticos, restos de velas e muitos, muitos alguidares, sendo que grande parte já quebrados.
Em verdade, a cena remetia-nos as imagens de um filme de terror ou de um filme futurista, no qual o único sinal de natureza é a existência de antigas fotos em museus, para que as crianças tenham ideia de um mundo já inexistente. Sequer era possível apreciar o espelho d’água, que insistentemente tentava burlar as barreiras criadas pelo lixo acumulado.
Somos Àbòrìsà (adoradores de Òrìsà), por consequência, adoradores da natureza, dessa forma, é inadmissível imaginar que alguém que adora e venera a natureza, possa igualmente agredi-la de forma tão agressiva.
É muito importante conscientizarmo-nos de que:
Alguidar não é oferenda!
Garrafa não é oferenda!
Plástico não é oferenda!
Existem centenas de alternativas sustentáveis que podem e, principalmente, devem ser utilizadas pelo nosso povo.
O antigo provérbio yorùbá já diz: Sem folhas, não há Òrìsà. As folhas são excelentes alternativas aos alguidares. Quando for à natureza, realizar qualquer tipo de oferenda, ao invés de utilizar alguidares ou terrinas de louça, utilize Ewé Lará (Folhas de Mamona) ou Ewé Agba-o (Folhas de Embaúba). Líquidos podem ser colocados em Ado (pequenas cabaças), ao invés de garrafas ou copos de vidro/plástico.
Dessa forma, você estará contribuindo para a preservação de um bem excessivamente precioso para a nossa religião. Tanto as folhas (mamona e embaúba) como as pequenas cabaças, são elementos que se decompõem de forma muito breve, não trazendo dano algum à natureza, muito pelo contrário. Além disso, não causam riscos às pessoas, como os pedaços de vidros e louças que podem causar ferimentos.
Em uma mata que há tempos não recebe a água das chuvas, uma vela pode causar incêndios. Por isso, é essencial que, a utilização de velas seja restrita ao espaço físico dos Terreiros. Nós somos os verdadeiros guardiões da natureza, por isso, devemos pensar e agir como tal.
Faça a sua parte, conscientize os seus filhos, netos e amigos da religião, para que protejam a nossa natureza. Se você for à mata, rio ou cachoeiras e deparar-se com materiais que degradam os nossos espaços sagrados retire-os jogando-os no lixo.
Em breve, nós do Terreiro de Òsùmàrè, vamos nos reunir para retirar o lixo de um importante espaço sagrado de Salvador (vamos comunicar com antecedência para que todos também possam participar), mas essa iniciativa deve ser multiplicada. Reúna a sua comunidade, escolha uma mata, um rio, uma cachoeira e recolha os materiais como garrafas, plásticos e alguidares. Convoque as pessoas por meio das redes sociais e contribua para a preservação e edificação da magnifica religião dos Òrìsàs. Registre a iniciativa por meio de fotos e nos encaminhe para que possamos divulga-las.
Não se esqueça, cada um de nós possui um importante papal na sociedade!
Que Òsùmàrè, o Pai da nossa Comunidade, cubra cada um com bênçãos e felicidades!
Terreiro de Òsùmàrè




Saudações meus irmão!
Parabéns pela matéria e iniciativa.
Um grande abraço!
Obrigado
11-9.8152-8519
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Excelente matéria, e muito importante. Sou Axogun e filho de Oxossi, não poderia em momento algum compartilhar com esta pratica que tanto denigre a natureza e pior denigre a nossa religião. Devemos cuidar da natureza, pois a natureza e viva e dependemos dela. Axé!
Pai Fernando, boa tarde!
Quanto as oferendas a Oxun e Yemanjá nas cestas de vime e panelas de barro, qual a alternativa?
Um abraço.
Parabéns 😤 pela matéria!!!!adorei!!!pena que poucos terreiros tem essa consciência . .gostaria muito de conhecer um terreiro de candomblé igual ao seu aqui no Rio de janeiro..um grande abraço e muito axé pra nós 💐
Muito bom! dá sim, na verdade é imperativo, adaptar-se aos novos tempos ecologicamente corretos.
Yane,
Minha Casa fica em Guapimirim aqui no Rio de Janeiro. Temos em Piabetá também aqui no Rio, um espaço reservado aos cultos religiosos do Candomblé.
Axé.
Mário,
Existem espaços reservados para as oferendas que a Federação oferece, como também,promovemos uma limpeza em determinados locais inclusive com a ajuda da fiscalização.
Axé.
Emanuelly obrigado pela sua ajuda.
Como eu já ouvi em rádios pastores sérios, criticando pessoas que abrem igrejas para correr atrás de dizimo, temos aqui um charlatão que não sabe e conhece òrìsà, apenas quer vender seus livros e faturar em cima dos seres humanos idiotas.
Quando ele diz que que traz seu amor “AOS SEUS PÉ” (sic) e vamos enfiando macumba no rabo dos outros, sabemos que não é uma pessoa equilibrada.
Não fala em nome de nossa religião, alias, não merece nem este comentário.
Abraços fraternos
Parabéns Babá pelo post. Sábias foram as palavras e sugestões ali postadas. Mas, como sabemos, nem todos os Oris, carregam a sabedoria e visão de futuro. Como postado e muito bem lembrado, sem folhas, não há Orixá. E se somos filhos Destes como faremos? Assim também ocorre com o omin. A natureza está sendo destruída aos poucos. Para aqueles que ainda não compreendem essa força, assistam o filme (infantil ( AVATAR. YEWÁ é saudada no filme e o cuidado com a natureza é o tópico principal.
Motumbá a todos!!
Emanuelly,
Obrigado pela sua participação, realmente é com muita indignação que vemos pessoas usando a religião de uma forma tão deturpada e tão triste. Invenções com receitas absurdas e sem fundamento algum. Retirei o vídeo tal a sujeira nele contida, que não merece estar aqui nesse espaço.
Axé.
Parabéns pela matéria. Serve demais para os pais de santo que pedem listas gigantescas de coisas desnecessárias para uma oferenda em local público.
As matas pertencem a vários orixás, e usando as folhas além da educação religiosa nos ensinar, também teremos a graça da benção e energia dos orixás, usando suas folhas.
Principalmente quando é pra Exu, alguidares e garrafas são elementos indispensáveis ao ver dos Dotes e Dones quando arriamos algo para essa falange.
Façamos a nossa parte e assim também ajudamos aos que tem preconceito e falam mal (muitas vezes com razão) da sujeira que deixamos.
Sua benção meu irmão.
Axé!
Cristina D’Oyá
Parabéns pelas dicas muito boas =D
Fernando D’Osogiyan
Agradeço de coração por esta e todas as demais matérias que veicula. Esta é uma preocupção que constantemente nos chama atenção e ter o respaldo e orientação através da fala dos mais velhos traz sempre uma luz e um aprendizado. Obrigada Telma
Date: Thu, 19 Mar 2015 12:28:13 +0000 To: telmacw@hotmail.com
Telma,
Oxalá lhe abençoe!
Axé.
Muito bom. Folhas de bananeira, mamona ou embaúba podem ser utilizadas em oferenda de todos os Orixás afim de substituir louças e alguidares? Nos casos de gamelas e cestos são ecológicos também ou podem ser substituídos? Meu questionamento é devido ao fato de talvés algum orixá não aceitar as folhas informadas ou não tem restrições?
Ana,
Essas folhas não tem interdito de Orixá, além do mais, existem as folhas adequadas a cada Orixá. Gamelas e cestos podem ser substituídos, não há necessidade de despachá-los. Cabe-nos ter criatividade para manter as matas, rios, cachoeiras e encruzilhadas, limpas.
Axé.