Ifá está enraizado na crença de atunwà, ou seja, retornar para evoluir (Iwá Pèlé).
Ifá ensina que Orí é a palavra yorùbá usada para descrever o espírito humano residente no Ikolè òrun, nos intervalos ele viaja para o Ikolè Ayé que significa: a Terra.
Ikolè significa: a casa onde eu aprendo.
Òrun é frequentemente traduzido como: O céu.
Acredito que o òrun é mais bem entendido como o reino invisível em um universo multidimensional. A astrofísica moderna postula que vivemos em um universo de 10 dimensões, Ifá identifica sete dimensões que sugerem que os conceitos são semelhantes. Ambos, Ifá e a astrofísica ensinam que múltiplas dimensões são interativas o que significa que o universo visível está constantemente sob a influência de forças invisíveis. A ciência chama esses princípios de forças fundamentais, Ifá chama de Odù, que significa ventre.
A escritura oral de Ifá, diz que enquanto no òrun, Orí mora em uma cidade sagrada chamada Ilè Ifè.
A cidade yorùbá da Nigéria considerada o centro espiritual de Ifá é também chamada de Ilè Ifè baseada na ideia metafísica, de que o que está acima também está abaixo.
É semelhante à ideia platônica de formas invisíveis. Tanto Platão quanto Ifá postulam que tudo o que vemos no mundo físico, primeiramente está no reino invisível, o òrun.
A palavra Ilè Ifè significa:
Casa do Amor / Terra que se espalha.
De acordo com a metafísica de Ifá as viagens do Orí são para formar a casa do amor no òrun (o reino invisível) e a Casa do Amor no ayé (o reino visível) durante seus vários nascimentos (atunwà) como o Orí individual, o coletivo é o Orí que se expande adotando uma visão mais ampla de si mesmo e do mundo.
Segundo Ifá o propósito da viagem do òrun para o ayé é desenvolver Ìwá-Pèlé.
A palavra Ìwá-Pèlé é comumente traduzida para significar um “bom caráter” e não tem essa conotação.
A língua sagrada yorùbá é baseada em elisões que significam que as sentenças são encurtadas para formar uma palavra com significado simbólico baseado em uma frase completa.
A sentença da qual deriva a palavra é a chave para entender o mistério que está por trás (awo) ou o próprio mundo.
Ìwá-Pèlé é uma elisão formada pela sentença Ìwà opé ile, que significa: venho para cumprimentar a Terra.
Em Ifá Ìwá-Pèlé está enraizado em Ìwá-rere da elisão: Ìwá ire ire.
Ìwá-rere também é comumente traduzido para significar um “bom caráter.”.
Quando uma palavra é repetida em yorùbá é uma referência para a fonte da palavra.
Re re.
É a elisão das palavras ire ire que sugere a fonte da boa sorte.
A tradução literal de Ìwá rere é que eu venha a ter boa sorte.
Esta é uma expressão da crença de que em Ifá todo mundo nasce uma pessoa boa e abençoada, expressado em linguagem yorùbá como: Omo-rere.
Ao dizer que um Orí vem de Ilè Ifé no Ikolè òrun significa que este Orí vem da cidade do amor incondicional, um estado em que o Ser está em perfeito alinhamento com a Fonte da Criação.
Alinhamento perfeito é um estado de graça chamado Lái Lái em yorùbá.
Lái Lái é a imersão da consciência individual ou Orí, que na consciência universal e chamado de Ìponrí.
A viagem para a Terra é uma separação da Fonte, resultando em uma perda de memória associada à Lái Lái.
Esta jornada é descrita simbolicamente em Ifá como flutuando em águas azuis (comumente chamdo de Rio Azul e alusivo a Òsún), o que significa a passagem através do sangue do canal do nascimento.
É o primeiro de uma série de ritos de passagem que formam o Orí em sua jornada desde Ilè Ifé no òrun até Ilè Ifé no ayé.
Quando Orí está em alinhamento com a Fonte ela experimenta um estado eterno do Saber.
Em outras palavras, o crescimento espiritual não é um processo de aprendizagem é uma experiência de se lembrar.
A tarefa da disciplina espiritual de Ifá não é para aprender como se comportar, a tarefa da disciplina espiritual de Ifá é nos lembrar de quem somos.
De acordo com a disciplina espiritual de Ifá a revelação de quem somos é resultado do desenvolvimento de Ìwá-Pèlé.
Saudamos a Terra para aprender o que significa Onilé, o Seu Espírito, para fazermos sim, um lugar melhor para as gerações futuras.
No processo de desenvolvimento de Ìwá-Pèlé nos tornamos Ìwá-rere, como resultado de lembrarmos que somos Omo-rere.
Em termos simples, nós somos seres espirituais tendo uma experiência humana. O desafio é saber disso e permanecermos humildes.
Muitas vezes uma pessoa, que considera a si mesmo um Ser Espiritual, confunde essa condição com a noção que eles têm sempre razão, que eles devem ter alguma coisa que eles imaginam ter e que têm sanção divina para controlar os outros (Òbàrà méjì em ìbì).
A necessidade de controlar os outros se baseia em ciúme e avareza, que Ifá descreve como a fonte de Orí burúkú.
A palavra Orí burúkú é a elisão de:
Orí búburú ikú.
Que significa:
“Consciência que traz a morte.”.
Muitas vezes, é traduzido por significar o mau, mas é mais corretamente entendido como:
Comportamento autodestrutivo.
Os versos da escritura oral de Ifá são chamados de Èsè Odù.
O Odù Òbàrà Méjì fala da importância de compreender a diferença entre autoestima saudável e egoísmo.
O versículo diz que a mosca que não é gananciosa nunca morre dentro de uma garrafa de vinho.
A ganância é o desejo de uma parcela excessiva dos recursos comuns.
A justificativa para a ganância é a crença de que os outros não merecem uma parte justa dos recursos comuns, uma visão que, por sua vez denegri os outros, geralmente na forma de fofoca.
Em termos simples o desenvolvimento da autoestima saudável é guiado pelos tabus culturais yorùbá contra a fofoca, crítica pública e linguagem abusiva.
A tensão entre autoestima e a ganância está no cerne da busca de Ìwà-rere.
De acordo com a experiência de Ifá Láilái é a fonte de autoestima saudável, é a experiência de lembrar quem somos e de onde viemos. Tornamo-nos abertos à experiência por rendição ao Espírito não pelo controle de outros.
O desejo de controlar os outros é geralmente apoiado por ameaças de violência para com aqueles que não se conformam. Na diáspora essas ameaças frequentemente tomam a forma de bruxaria, juju (magias com pó) e rituais destinados a bloquear a sorte do outro.
A experiência de Láilái não vem como resultado do início da experiência de que Láilái traz um estado de graças.
Na cultura yorùbá graças é descrita como:
Òpe ni fun Olórun.
Significando:
Toda a minha bênção vem da fonte de criação.
É uma revelação da nossa conexão compartilhada com a Fonte. A iniciação é uma tentativa humana de experiência aproximada de Láilái, que só pode vir da Fonte.
Abrimos a porta para a possibilidade de Láilái, reconhecendo que nascemos no amor incondicional ou Ilè Ifè que é a fonte de nossas bênçãos como Omo-Rere.
Ifá em Èjì Ogbè diz:
Ìwà-Pelé ni Àyàmò, ati Àyàmò ni Ìwà-Pelé.
Significado:
Caráter é destino e o destino é o caráter.
Em outras palavras, nós nos tornamos o que somos pela saudação da Terra, ou seja, podemos aprender coma Terra, aprendemos a viver em harmonia como Eu e o mundo.
Na cultura yorùbá tradicional uma pessoa mais jovem cumprimenta sempre um ancião e pede uma bênção, porque um idoso é considerado um mentor e um professor. Nós viemos a Terra para aprender a formar o espírito. Na língua yorùbá a crosta ao redor da Terra é chamada Èèpè erùpè. O Espírito da Terra é chamado Onilé. O áwo ou mistério de Onilé é o conteúdo da Ìwà-Pelé. Isto significa que a Terra é uma manifestação da consciência ou Orí, a Terra é um reflexo perfeito do que nos percebemos ser. Como a consciência humana evolui a Terra evolui para acomodar nossa transformação e crescimento, seja transformação criativa ou destrutiva.
Na língua yorùbá: É a polaridade entre Orí burúkú e Consciência.
Que significa:
Consciencia que traz ire de boa sorte.
Orí burúkú significa o que traz auto destruição.
Quando a consciência humana se move muito longe de sua natureza essencial, a própria Terra repõe limpando a lousa. Em Ifá o poder de regeneração da Terra é chamado Òsá ‘fún.
No Odù Òsá ‘fún está baseada a ideia de que a vida na Terra foi projetada para funcionar. O verso diz que quando o primeiro macaco passou a viver na floresta o macaco mentiu sobre o comportamento do Espírito e o Espírito o acusou de violar o tabu contra a embriaguez. Quando foi descoberto o macaco mentiu, o macaco não tinha permissão para descobrir a paz de espírito, é por isso que eles constantemente gritam.
O verso sugere que não viver em harmonia com a lei natural, torna a estabilidade mental e o crescimento espiritual impossível.
Há um provérbio em Ifá que diz que não há peixes no oceano que sejam desabrigados. Lembrando que estamos incluídos em uma visão de como fazer a vida sem a necessidade de se envolver em fofocas baseada na ganância.
A falta deviver em harmonia com esta visão tem consequências inevitavelmente destrutivas.
A crença de Ifá que vivemos em um universo abundante significa que o esforço coletivo é mais produtivo do que tentar resolver todos os nossos problemas por nós mesmos.
Em termos simples: Viver em um universo abundante significa que devemos viver em uma realidade de consenso.
Isto implica que a vida é o que fazemos dela.
Cada interação com a Terra envolve uma escolha. Podemos torna-lo um lugar melhor, abraçando toda a consciência como uma manifestação da Fonte, ou podemos tentar controlar aTerra, em um esforço para cumprirmetas de autoserviço.
Ifá chama a primeira escolha Orí ire ou a consciência que manifesta boa sorte; Ifá chama a segunda escolha de Orí ìbì ou a consciência que manifesta destruição.
Baba Abimbola gravou o Odù Ogbè Alara no capítulo 9 do livro, Yorùbá Tradição Oral: Poesia em: música dança e Teatro, publicado pelo Departamento de Línguas e Literaturas Africanasda Universidade de Ifé.
O Odù diz que o bom caráter é a esposa de Òrúnmìlá.
Na cultura tradicional yorùbá Òrúnmìlá é o profeta original da disciplina espiritual de Ifá.
A referência ao casamento é uma expressão simbólica da ideia de que Ìwà-Pelé integra os aspectos masculinos e femininos de Orí (consciência individual).
O Odù descreve Ìwà como primeira mulher de Òrúnmìlá que significaa integração da consciência que foi a primeira tarefa do profeta e o primeiro passo no processo de crescimento espiritual.
Há um refrão repetido no verso que diz:
Kámúrágbátagbá, Ìwà.
Kámúrágbátagbá, Ìwà.
Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e golpeá-la contra a cabaça, vamos saudar Ìwà.
Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá para bater na cabaça, vamos saudar Ìwà.
“Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e bater a cabaça, vamos saudar Ìwà” é uma referência ao método tradicional de invocar o Espírito.
O Odù está dizendo que, se invocamos o Espírito façamos isso com a finalidade de desenvolver um bom caráter.
Isto significa que invocando o Espírito com a finalidade de bruxaria, denegrir ou prejudicar a boa sorte de outra pessoa é um tabu na religião de Ifá, de acordo com a escritura de Ifá.
Devido à tendenciosa e desinformada representação da espiritualidade Africana comum na mídia, há uma falsa crença de que a espiritualidade Africana baseia-se na ideia de prejudicar os outros. É ridículo acreditar em uma cultura que baseia suas crenças religiosas voltadas para a violência para com os outros, mas o estereótipo persiste, no entanto.
Quando você considera o fato do que a ciência diz hoje, todos os vivos são descendentes de uma única mulher do Leste Africano,a depreciação da espiritualidade africana é uma diminuição de todos os nossos antepassados. Ifá é uma expressão de ideias religiosas que acredito foram originalmente desenvolvidas na Etiópia e mais tarde se espalhou para o Egito (nota de responsabilidade do autor).
Do Egito, estas ideias religiosas se tornaram a base para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Diminuir a espiritualidade africana é diminuir todas as crenças religiosas.
O Odù continua dizendo que Òrúnmìlá pedia a Ìwà para ser sua esposa.
No Odù Ìwà é descrita comoa filha da Paciência.
Na cultura tradicional yorùbá paciência é consideradaa fonte de toda sorte na vida.
De acordo com Ifá a vida funciona quando Orí está ligado à sabedoria infinita.
Isso acontece quando a ausência de cobiça e inveja é acoplada com paciência e humildade. Paciência é usada para colocar o Orí em alinhamento com a Fonte, é a porta para a Graça. A palavra graça significa receber uma bênção da Fonte da Criação, em yorùbá a palavra graça é Láilái e Láilái é a fonte de Orí ire, ou seja, a consciência que cria a boa fortuna.
Com base nesta fórmula boa fortuna é a consequência inevitável de quem entende a relação entre Ìwà e sùúrù (paciência) significado que elas são usadas para o desenvolvimento eficaz do bom caráter.
Ìwà concorda em se tornar esposa de Òrúnmìlá significado que Òrúnmìlá faz o compromisso de desenvolver um bom caráter.
Ìwà diz a Òrúnmìlá que, para que a relação possa prosperar, ela não deve ser mandada embora de sua casa, ela não deve ser utilizada de modo descuidado e ela não deve ser punida desnecessariamente. Em outras palavras, o desenvolvimento de bom caráter é uma disciplina em tempo integral e não é uma questão de conveniência.
Ìwà não é algo que abraçamos quando o humor nos convém, como seres humanos vivendo na Terra, o foco principal de nossa atenção é desenvolver o bom caráter, que deveria ser a nossa maior preocupação.
Na cultura yorùbá tradicional tanto a consciência individual e aconsciência coletiva da família são fundadas sobre o conceito de bom caráter. O desenvolvimento de um bom caráter não é tomado de ânimo leve e inclui um elemento de justiça.
Òrúnmìlá responde a Ìwà dizendo que o Criador não iria deixá-lo violar os seus tabus. Isso significa que o bom caráter é uma manifestação de intenções transcendentes e as intenções são honradas, independentemente dos nossos sentimentos pessoais no momento.
Depois que eles se casaram Òrúnmìlá tornou-se infeliz e começou a queixar-se de Ìwà. Ele era crítico de tudo dizendo que tudo que ela fazia era errado. O reclamante chegou a um ponto onde Ìwà decidiu morar com seu pai no reino dos antepassados.
Esta é claramente uma referência à ideia de que se nós nos engajamos em julgar dos outros o bom caráter é diminuído em nós e eventualmente, torna-se inexistente.
Esta é a base para o tradicional tabu yorùbá contra a fofoca.
Denegrir outra pessoa é denegrir a si mesmo.
Òrúnmìlá retornou para casa e descobriu que Ìwà não estava.
Ele começou a procurarpor toda a parte. Em sua jornadapara localizar Ìwà ele encontrou outros anciãos que lhe falaram sobre problemas semelhantes com seus companheiros.
Isto sugere que Òrúnmìlá aprende a humildade, quando ele descobre que os outros estão lutando com conflitos internos semelhantes. A humildade é a disposição de considerar a opinião de alguém, que é a razão para o tabu contra a fofoca.
Discutirum problema que envolva outra pessoa sem que a outra pessoa esteja presente exclui a possibilidade de humildade, porque não existe um fórum para uma alternativa.
Quando finalmente Òrúnmìlá encontra Ìwà no reino dos ancestrais, ele imploraque ela volte com ele para a Terra.
Encontrar Ìwà no reino dos “ancestrais” significa que o bom caráter tem uma qualidade transcendente que podemos compreender e apreciar, nos lembrando da sabedoria dos antepassados. Ìwà recusa seu pedido e diz-lhe que, se ele retorna a Terra e honrar seus tabus, ela estará sempre com ele em espírito.
Isto sugere que um bom caráter tem um elemento transcendente, que continua a ser um objetivo inalcançável durante nosso tempo na Terra, mas é retido na consciência dos espíritos ancestrais no mundo invisível. Se não temos a certeza que o bom caráter existe em nós, podemos nos voltar para os ancestrais em busca de inspiração.
Versos e escrituras deIfáse referem adiferentes dimensões da realidade.
O casamento entre Òrúnmìlá e Ìwà é uma referência simbólica para o equilíbrio do Eu consciente chamado Orí ode em yorùbá e do Eu interior chamada Orí inu com o Eu superior chamado Ìponrí.
A psicologia refere-se a estes elementos de consciência como o ego, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.
O ego(Orí ode) é o rosto que apresentamos ao mundo, o inconsciente pessoal (Orí inu) é a memória de nossas experiências pessoais, o inconsciente coletivo (Ìponrí) é a capacidade humana de acesso à informação fora da esfera da experiência pessoal, que é comumente conhecida como habilidades psíquicas.
Acessar as habilidades psíquicas geralmente requer um estado alterado de consciência normalmente referido como possessão.
A palavra yorùbá para possessão é ini que significa:
Eu sou.
De modo que o entendimento comum da possessão é como algo que acontece a uma pessoa como resultado da invasão de influências externas.
A palavra ‘ini’ sugere que a possessão ocorre a partir do Eu interior.
Isto é consistente coma ideia de que todo mundo tem um Orí pessoal e um Orí inu, porém, Ìponrí existe apenas um e todos nós estamos conectados a ele.
Orí veio à existência no momento da Criação e tem evoluído e se transformado cada vez mais, Orí são os olhos do Criador olhando para ele próprio.
No nível fisiológico de interpretação, Òrúnmìlá representa a saída, o Eu extrovertido e competitivo e Ìwà representa o reflexivo, auto-empatia e introversão.
Esta é uma referência simbólica para a polaridade entre introversão e extroversão. Ambas as abordagens para a consciência pode caracterizar o Orí Ode ou o Orí inu tanto em homens, quanto em mulheres.
Em outras palavras, se o Orí ode é introvertido o Orí inu será extrovertido e vice-versa. A meta do crescimento e desenvolvimento espiritual é a capacidade de integrar e equilibrar esses aspectos polares de autoconsciência.
Em yorùbá o equilíbrio é chamado de Orí tutu significando cabeça fria.
Durante o início este equilíbrio é muitas vezes caracterizado pela polaridade entre os Espíritos primários e secundários que formam a consciência do iniciado. No ritual yorùbá tradicional a importância do equilíbrio é frequentemente simbolizada através do travestimento.
A presença em ritual de um homem como penteado de uma mulher ou uma mulher com uma barba falsa representa a unidade entre Orí inu e Orí.
O ato de travestimentos é um gesto ritual simbólico relacionado a questões de orientação sexual e identidade de gênero. É uma declaração sobre a natureza do equilíbrio espiritual.
Em um nível interpessoal o versículo se refere às diretrizes culturais para se envolver em uma relação saudável e produtiva.
Ifá ensina que a tolerância, empatia e perdão são elementos essenciais no processo de criação de um casamento e o começo de uma família. Isso exige o que eu chamo de equidade de gênero, nem o marido e nem a mulher podem estar em uma posição dominante em todos os assuntos. Liderança é baseada em experiência e nem todos sabem tudo.
A cultura yorùbá tradicional tem uma divisão bastante acidentada do trabalho baseada no sexo. Esta divisão é baseada na necessidade e sobrevivência que são requisitos que não existem mais da Diáspora.
Os papéis de gênerosão uma extensão do que eu chamo de ciclo de Ifá na responsabilidade social.Todas as crianças aprendem as habilidades necessárias para a sobrevivência com outras crianças que são alguns anos mais velhos. Nas zonas rurais os homens que são casados fornecem alimentos pela agricultura, às mulheres processam o alimento em casa para que eles possam assistir as crianças.
Os homens também têm a responsabilidade de proteger a vila.
Quando as mulheres se tornam avós suas responsabilidades de cuidados infantis chegam ao fim e assumem novas responsabilidades como guerreiras espirituais que utilizam estados alterados de consciênciapara proteger a vila.
Homens como avôs já não estão fisicamente capazes de proteger a vila, tomar cuidado infantil e ensino de habilidades comerciais. Desta forma,no curso de uma vida, homens e mulheres finalmente são o capitais nos papéis sociais.
Em um nível comum o verso do Odù sobre Ìwà sugere que a criação de uma família saudável estendida depende do equilíbrio entre o que é simbolicamente referido como uma perspectiva masculina e feminina. Que por sua vez reflete a ideia de que o universo é criado através de um equilíbrio de polaridades, forças de expansão e contração e se unem para se manifestar no mundo físico.
Em termos humanos,homens e mulheres têmigual responsabilidade na orientação edesenvolvimento docrescimento espiritualcomum.Homens e mulheresbuscam o equilíbriocom um comportamento modeloque seja eficaz simbolizeo mistériointeriorda Criação.
Esta responsabilidade partilhada é codificada no processo de fazer oferendas para os Imortais.
Os símbolos para os versos de Ifá/escrituras são baseadas em dois conjuntos de quadra gramas. Cada quadra grama tem dezesseis combinações possíveis de simples e duplas linhas verticais.
Ao colocar juntos dois quadra gramas você tem 16×16 ou 256 combinações. Ao fazer uma oferta ao Espírito para pedir ajudana fixação de um problema um adivinho de Ifá usa uma bandeja de madeira chamada Opón Ifá.
A bandeja recebeum pó fino chamado Ìyèròsùn. O Ìyèròsùn é usado como um papel para marcar o Odù que traz a resolução do problema.
Por exemplo, o Odù Ògúndá Òsá aparece como se segue:
| II | I |
| I | I |
| I | I |
| I | II |
Ògúndá Òsá
O verso de Ifá diz que este Espírito remove os obstáculos e traz a abundância.
Quando a oferta é feita, Ògúndá Òsá é marcado no Ìyèròsùn juntamente com Òkànràn Òbàrà.
Ifá ensina que todo problema no mundo nasce do seu padrão energético oposto. Se tomarmos todas as linhas individuais em Ògúndá Òsá e torná-los linhas duplas da seguinte forma obterá o padrão simbólico de Òkànràn Òbàrà da seguinte forma:
| II | I | I | II |
| I | I | II | II |
| I | I | II | II |
| I | II | II | I |
Ògúndá Òsá Òkánrán Òbàrà
Se você contar o número total de linhas simplese o número total de linhas duplas em ambos os Odùo total é de oito linhas simples e oito linhas duplas.
Isto é verdade para todos os versos das escrituras de Ifá quando emparelhado com o seu oposto.
A razão dos Odù ser em emparelhados ao fazer uma oferta é uma expressão da necessidade de equilíbrio do génerono Universo como uma chave para a resolução de problemas.
O símbolo para esse equilíbrio é a serpente que morde a própria cauda.
O Universo é uma onda de grandes sinais. Pense em uma onda de sinal como uma série de W amarrados juntos como este:
WWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW
Se você desenhar uma linha através do centro da onda, acima de tudo o ponto central é uma força de expansão.
A ciência chama esta força de radiação.
Tudo abaixo da linha é uma força de contração.
A ciência chama essa força de gravidade.
A linha através do centro é um lugar onde as forças de expansão e contração une-se e se tornam um.
No simbolismo de Ifá este lugar de unificação é simbolizado pela procriação dos Espíritos masculinos e femininos.
No exemplo de Ògúndá Òsá, o Espírito masculino ou Òrìsá chamado Ògún e o Òrìsá fêmea chamada Òya oferecem conselhos para alcançar resolução para o problema em questão. No balcão do equilíbrio o Odù Òbàrà Òkànràn o aspecto feminino do Òrìsá Òsóòsì e o macho Òrìsá Sàngó oferecem conselhos sobre a resolução do problema em questão. Como princípio da ciência e de Ifá, se você adicionar fogo para apagá-lo você simplesmente obterá mais fogo. Se você adicionar água ao fogo então você começa a ter vapor.
O antagonismo entre o fogo e a água cria resolução e equilíbrio na manifestação de algo novo.
Sem aresoluçãoda polarizaçãoo universotorna-seestagnado.
Tudo isto é suportado no ritual da vida cotidiana com a ideia de equidade de gênero como base para a construção efetiva da comunidade.
Estas ideias têm vindo recentemente à atenção do mundo da física. No domínio da matemática, a grande pergunta sem resposta foi o que é chamado de problema da teoria do campo unificado. A pesquisa para esta teoria baseou-se na ideia de Einstein que deve haver uma fórmula que explique a relação entre a estrutura dos átomos e a estrutura dos planetas e estrelas. Ele passou mais de vinte anos, considerando soluções para este enigma e finalmente, consegui encontrar uma teoria que pudesse ser apoiada por sólidas equações matemáticas. Recentemente, esta situação mudou. Dr. Òyibó da Nigéria apresentou uma solução matemática para este problema que tem sobrevivido às pressões da revisão de pares do seu grupo. Quando questionado sobre como ele veio com sua equação para a solução do campo da teoria unificada Dr. Òyibó diz que foi ensinado a ele por seus anciãos de Ifá. Eu não acho isso difícil de acreditar. As marcações de Odù Ifá são uma representação bidimensional de três padrões de energia dimensional. Eles são a chave para compreender a estrutura do mundo em que vivemos
Equações do Dr.Òyibó são extremamente difíceis de entender, para aqueles que não sabem matemática avançada, mas a sua premissa não é difícil de entender. Ele baseou seu modelo matemático sobre a ideia de que existe apenas um elemento, o hidrogênio, e que tudo mais é um composto desse elemento único. Em outras palavras, a pedra fundamental da Criação se desdobra para criar o mundo com base em um esquema que inclui todas as variações de energia expansiva e contracionista dentro de uma estrutura esférica. Estas forças são para os átomos o mesmo que eles são para estrelas e galáxias. Odù Ifá chama isto de esquemático.
Para dizer que não é apenas um elemento e tudo o mais é um composto de uma afirmação da antiga ciência alquímica africana. Os russos desenvolveram um método para fabricação de ouro e o preço do ouro continua a ser fixado apenas sob o preço que custaria para Rússia produzir ouro com lucro. Estas ideias não são desconhecidas, mas elas são suprimidas por aqueles que temem as consequências da iluminação.
Ire Baba
Por Áwo Fatunmbi




Oi boa noite,não nos conhecemos,já lhe enviei uma pergunta e fui atendida c/ muito carinho.Meu coração ta muito angustiado,me sinto muito só e muito triste,pelo seu modo carinhoso como respondeu minha pergunta,conclui que o srº seja muito tranquilo c/ um espírito bem mais elevado que o meu.me desculpe importuná-lo s/ nem ao menos pagar uma consulta mas eu preciso falar c/ alguém,fiz um trabalho de amarração que vai p o 4º mês e ainda não obtive nem msm uma ligação da pessoa,Dª Maria Padilha das 7 Encruzilhadas com muita calma disse:’ELE É SEU MOÇA,ESPERE’.Eu tenho Fé sabe srº By da Ilha mas me responda por favor,pq será que tanto demora? a falta dele me corrói,me sinto abandonada pois o zelador que fez o serviço não me da atenção,quase que preciso implorar p/ me receber não p/ ele dzr oq eu quero ouvir mas p/ pelo menos saber como estou.Acredito nela e nos meus orixás mas não entendo….pq a demora??Obrigada e desculpe o incômodo,bom domingo!
muuuuito interessante e lindo sabermos de toda esta historia emblemática dos nossos queridos e amados orixás.axe para todos.
Rosa eu já me manifestei por diversas vezes sobre este tema: Amarração.
Eu não gosto de conjugar este verbo, nos envolvemos em esquemas negativos, em situações onde seremos cobrados por importunar a sorte de alguém.
Nossa felicidade não está ligada a felicidade forçada da outra parte.
Temos que aprender e saber que estamos interferindo na vida/destino de uma pessoa.
Se conhecermos e tivermos consciência do papel de Orí no Universo, nunca mais faríamos amarração ou qualquer tipo de magia para prender uma pessoa.
Você não sabe o quanto eu torço para todas, eu disse todas, as amarrações não darem certo.
Amarrar alguém é muito sério, é contrariar a vontade divina, e mexer com a vontade e as ordens de Olódùmarè (Deus).
Rosa deixe este assunto de lado, perdeu, perdeu.
Lutou, correu atrás, tentou, conversou, encantou com a feminilidade e não deu certo, então não era para dar certo mesmo.
Procure saber o que é Orí, procure saber o que é destino dentro de nossa cosmogonia,
Eu garanto que você nunca mais vai mexer com este tipo de magia.
Ire
Ótima leitura muito bom saber que em estudar ifá adquirimos o conhecimento de como funciona o universo e suas leis. .cada texto que leio me encanto cada vez mais por ifá que cultura maravilhosa e que sabedoria olha que sou totalmente leigo no assunto. Agora uma pergunta como se da o aprendizado no culto de ifá é por meio de ensinamentos de sacerdote para discípulo transmissão oral? ou existem literaturas ?
Diego existem inúmeras literaturas em inglês, Ifá não está ligado a uma religião ou dogma, Ifá é uma filosofia de vida, ditada pelo próprio Deus (Olódùmarè).
Òrúnmìlá foi quem arrumou tudo isto em uma parafernália de instrumentos e criou o sistema de consulta oracular.
Geralmente o seu Oluwo (sacerdote que inicia pessoas em Ifá) é o seu Ojugbonon (professor), ele vai cuidar dos seu aprendizado e de seus testes para saber se você está apto a manipular estes instrumentos e conhecer a fundo, poemas, magias, encantamentos, ofo, rezas, folhas e sua manipulação, nomes secretos das mesmas e etc.
É muita coisa filho, porém, com persistência e uma boa família de Ifá você consegue.
O treinamento pode levar de 5 a 20 anos (para se tornar apto) e depois pelo resto da vida, agregando conhecimento.
Ire
Muito interessante da ilha, da pra imaginar a complexidade e a profundidade dos ensinamentos. E como eu faço para dar o primeiro passo ? Aqui em São Paulo não conheço ninguém de ifa .
Diego é uma resposta difícil de ser dada.
Em Ifá eu não conheço ninguém pessoalmente em S. Paulo.
O que lhe aconselho é você pesquisar, ter muita atenção, não se deixar levar pelo canto da sereia, conhecer a família de Ifá da pessoa em questão na Nigéria, você descobre perguntando de qual família ele é, qual o nome da família e a cidade/região.
Pode parecer piegas, porém, eu apenas posso indicar o meu Oluwo por saber de seus conhecimentos, retidão de caráter e reconhecimento internacional.
Um homem coroado como Obàálá (Rei do culto de Obàtálá) e muito assediado para palestras, congressos e etc., mundo afora, além de ser Oluwo Ifá, é Oluwo Olóri e Oluwo Ogboni.
Sua casa fica no Rio de Janeiro, na Praia de Mauá, no Rio de Janeiro.
Estou com ele a 5 anos e não me arrependo de nada
mas posso ser iniciado em outro estado ou culto de ifá necessita de estar toda semana no templo?
Diego as vindas são esporádicas e o sacerdote lhe orienta sobre os estudos.
Vai da sua vontade de aprender e estar sempre em contato com ele.
Ifá não tem sirè.
Ire
Ok da ilha daqui a alguns dias estarei no Rj poderei fazer uma visita e conversarmos melhor pessoalmente pode ser ? Lhe mando um email para conversarmos melhor!
Da Ilha Guiam no Culto tradicional é um orixa proprio ou é cultuado como qualidade de Oxalá
A benção .
Nao sou do candomblé, como ja disse aqui anteriormente, mas me identifico muito com esta religião linda que é a religião dos orixás.
Fui jogar búzios recentemente em um barracão que uma conhecida frequenta (e ne disse ser de confiança).
Ao final do jogo, a zeladora me disse que eu deveria fazer um obi. Concordei e marcamos para a próxima semana.
Faltando alguns dias para a data marcada, a zeladora me informou que jogou novamente para mim e que deu no jogo que um obi nao seria necessário e que deveríamos fazer só um ebó.
Isto esta.correto? É possível que o meu jogo abra sem que eu esteja presente?
Fiquei muito confusa….
Agradeço a atenção desde ja.
Axé
Diego sem problemas.
Abraços
Brenna me perguntaram a pouco sobre este assunto e eu fui buscar respostas na Nigéria.
Meu informante diz que são òrìsà independentes, porém, cultuados dentro do Oro de Obàtálá.
São òrìsà, são funfun, estão no culto de Obàtálá, são tratados como um deles, porém, eles sabem que são energias independentes.
Uma vez que reza a lenda de Giyan que ainda hoje temos descendentes vivos na cidade de Ejigbo.
Eles inclusive não são tratados como òrìsà menores, que foram divinizados por seu povo.
Este depoimento inclusive serve para resgatar e consertar o que foi dito por mim em outra resposta.
Ire
Maria eu acredito que ela possa ter visto algo que não estava claro no momento do seu jogo presencial.
Ela pode ter visto isso depois e lhe comunicado.
Porém, o ideal (e isto digo sempre aqui no blog), é vocês estarem presente e não terem vergonha de perguntar qualquer coisa.
Eu não saberia responder sua pergunta com segurança.
Ire
Em termos simples, nós somos seres espirituais tendo uma experiência humana. O desafio é saber disso e permanecermos humildes.
lí,reli e continuei com esse trecho na mente acatei e vou levar comigo para onde for muito profundo mesmo tudo que você diz no texto tem tudo haver com o que as outras religiões passam para os outros mais um ponto para vocês,isso é dizer que acreditamos e temos fé!
olorun modúpé!
neto t´logun
Nilton dentro de Ifá (onde o Culto Tradicional e o Candomblé estão contidos) não há nenhuma surpresa em se ter a certeza de saber que não somos deste mundo.
Não pertencemos a este mundo.
Ifá diz que o mundo é o mercado (onde fazemos compras) e o òrun, com suas dimensões, é a nossa casa.
Então, quando acordamos deste sonho e temos a certeza de que somos espírito tudo munda de figura e começamos a entender que Orí é a base e o esqueleto de tudo que acontece com a gente.
Orí O. É o que somos.
Ire baba
A benção aos mais velhos, mais novos!
A benção Da Ilha!
Realmente, cada linha desse texto nos mostra sobretudo o quanto da nossa pequenez e necessidade urgente de aprimoramento, de estudo, de acordarmos para a verdadeira realidade. Texto que deve ser sempre revisitado, e mesmo com toda a limitação que ainda temos, mesmo não sendo capaz de compreender em toda sua profundidade, a cada leitura, a cada linha, há uma beleza que se não pode ser compreendida, que seja sentida para que as verdades possam, quem sabe um dia, serem alcançadas…
“Denegrir outra pessoa é denegrir a si mesmo”, pois além da conduta equivocada de quem julga, critica e que, por isso mesmo, atrai a própria condenação em função dessa atitude (Ìwà-Pelé ni Àyàmò, ati Àyàmò ni Ìwà-Pelé), ainda falta a visão (e sabedoria) para compreender não racionalmente, mas em seu próprio coração, que, se “Orí veio à existência no momento da Criação e tem evoluído e se transformado cada vez mais, Orí são os olhos do Criador olhando para ele próprio”, então somos todos partes de um mesmo Criador/Criação, uma mesma Fonte! O julgamento e a crítica seria algo como meu estômago difamando o meu fígado, como se fossem independentes e autossuficientes. Ora, é óbvio que trata-se de uma atitude contraproducente, pois o correto seriam estômago e fígado trabalhar em harmonia. “No Odù Òsá ‘fún está baseada a ideia de que a vida na Terra foi projetada para funcionar”, ou seja, a tendência da vida é dar certo, nós que não enxergamos isso e fazemos tudo errado. Segundo Teilhard de Chardin, “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”, o texto aborda o tempo todo e de maneira brilhante o que deveria ser evidente, então pergunto, por que insistimos em fazer o mais difícil? Ignorância?!!
“Em um nível comum o verso do Odù sobre Ìwà sugere que a criação de uma família saudável estendida (cosmos) depende do equilíbrio entre o que é “simbolicamente” referido como uma perspectiva masculina e feminina. Que por sua vez reflete a ideia de que o universo é criado através de um equilíbrio de polaridades, forças de expansão e contração e se unem para se manifestar no mundo físico.” Temos esses ciclos muito evidenciados na natureza, nas marés, nas estações do ano, no movimento dos astros, do dia e da noite, nas fases da lua, nos movimento sistólico/diastólico do nosso sistema cardíaco, nas trocas simbólicas dos nossos ritos religiosos, então por que da ganância? Por que fugimos da vida natural, da permuta generosa, de uma feira sem cobiça, sem egoísmo, sem medo de perder, sabendo que no mundo natural toda a energia deve circular? Isso sim seria a verdadeira prosperidade e não o acúmulo, a cobiça que gera a deslealdade, a desigualdade e os desequilíbrios. “Ifá ensina que todo problema no mundo nasce do seu padrão energético oposto”, por tanto, cabe a cada um cultivar os valores e atitudes que coíbam os padrões energéticos que geram os problemas. “Não viver em harmonia com a lei natural, torna a estabilidade mental e o crescimento espiritual impossível”.
“Segundo Ifá o propósito da viagem do òrun para o ayé é desenvolver Ìwá-Pèlé.”
“Ifá ensina que a tolerância, empatia e perdão são elementos essenciais no processo de criação de um casamento”, do casamento místico Orí ode/Orí inu/Ìponrí.
“O crescimento espiritual não é um processo de aprendizagem é uma experiência de se lembrar. A tarefa da disciplina espiritual de Ifá não é para aprender como se comportar, a tarefa da disciplina espiritual de Ifá é nos lembrar de quem somos.” Se enxergarmos com clareza nossa confusão mental, a ilusão em que nos encontramos, se observarmos com a devida atenção, conseguiremos nos desvencilhar desse mundo artificial que a sociedade consumista (e que destrói a Natureza) impõe como modelo de “sucesso”, agir de modo correto se tornará natural, como tudo o mais que está em equilíbrio na natureza e o verdadeiro sucesso que é a realização espiritual consequentemente acontecerá também!
“Acredito que o òrun é mais bem entendido como o reino invisível em um universo multidimensional. A astrofísica moderna postula que vivemos em um universo de 10 dimensões, Ifá identifica sete dimensões que sugerem que os conceitos são semelhantes. Ambos, Ifá e a astrofísica ensinam que múltiplas dimensões são interativas o que significa que o universo visível está constantemente sob a influência de forças invisíveis. A ciência chama esses princípios de forças fundamentais, Ifá chama de Odù, que significa ventre.”
“De acordo com a metafísica de Ifá as viagens do Orí são para formar a casa do amor no òrun (o reino invisível) e a Casa do Amor no ayé (o reino visível) durante seus vários nascimentos (atunwà) como o Orí individual, o coletivo é o Orí que se expande adotando uma visão mais ampla de si mesmo e do mundo.”
Creio que cabe a cada um através da prática sistemática da observância, reflexão e meditação sobre as verdades espirituais, chegar a realização do casamento místico, que a integração (òrun/ayé) na consciência seja fato e a visão dos diversos planos de existência deixem de ser apenas especulações metafísicas, tornando-se parte integral de nós mesmo, de modo que finalmente enxerguemos e saiamos da ilusão, o que em Ifá somos o tempo todo instigados no caminho dessa realização: a lembrança da nossa origem!!!
Axé! Axé! Axé!!!
Léo seria a glória para Olódùmarè ver estas palavras entrarem na cabeça da humanidade e esta se tornar uma prática diária.
Por isso estamos difundindo a mensagem de Ifá/Ọrùnmìlá ao quatro cantos do mundo, este é o meu propósito.
Este é o meu objetivo, isto me faz pulsar, viver e seguir em frente.
Tenho muito que aprender e por em prática, porém, determinação e vigília não faltam de minha parte.
Olhar e vigiar.
Ifá nos diz isto a 12.000 anos.
Pena que aas pessoas estão preocupadas com salão, incorporação, tecidos, etc., etc., e etc…
Adoro este pensamento, ele pode deixar o mundo mais leve:
O mal entendido é a razão para o argumento.
A falta de comunicação e não compreender a intenção, é a causa do conflito.
O caráter de cada pessoa é diferente e você não pode esperar que eles reajam como você.
A compaixão é a chave para o momento.
Use a clareza de Ifá para manter a sua calma quando a frustração do mal entendido estiver tomando conta.
Conecte-se com Ṣàngó e ofereça……….
Pergunte a Ṣàngó como ele pode ajudá-lo a ser compassivo, lhe ajudar a manter sua clareza e adoçar a sua frustração, assim você irá ficar mais calmo.
Ṣàngó irá fornecer-lhe a força para aceitar o caráter daqueles que ainda não estão alinhados.
Àse O.
Por Áwo Fakorede
A compreensão é uma das chaves para o crescimento.
Ire Bàbá