Estamos vendo um movimento tomando as ruas das cidades brasileiras, estamos vendo um movimento que surgiu por um motivo, mas que acabou sendo a gota d’água para se falar abertamente fora do mundo virtual sobre muitos outros assuntos. Assuntos sobre os quais lemos todos os dias, presenciamos, nos revoltamos e perguntamos como mudar isso. É só o voto que sai errado? É só o sistema político que é errado? Somos apenas uma massa facilmente manipulável por aqueles que têm dinheiro e decidem por nós o nosso futuro? Não. Não é apenas isso, é tudo isso e muito mais. O povo brasileiro tem uma “fama” de viver em letargia, de ter a bunda posta na janela para que qualquer um passe a mão nela, como cantou Gonzaguinha. Mas agora estas bundas estão pouco a pouco saindo das janelas (do facebook, inclusive) e estão indo pras ruas fazendo as bocas gritarem, reclamarem inicialmente pelo preço do péssimo sistema de transporte coletivo e posteriormente por tudo que está entalado na garganta. Agora um grito enorme, gigantesco, tem se formado com a ajuda de muitos gritos menores, de muitas outras reivindicações.
Eu estou empolgada e emocionada com esse movimento e mais emocionada por estar a presenciar este engajamento que eu já tinha perdido as esperanças de que ocorresse um dia na minha geração. Agora a minha esperança é de que mudanças realmente aconteçam, que os argumentos se fortaleçam e cheguem no lugar onde de fato possam atuar a favor do cidadão comum; que o gigante acordado atue de forma que melhore a nossa mobilidade, que melhore a nossa representação, a nossa democracia, o nosso direito a ter voz e que não adormeça abruptamente como adormeceu em eventos passados.
O movimento ganhou uma proporção imensa, ficou meio difuso, vários movimentos sociais estão congregando e somando suas vozes. Aproveito estes acontecimentos pra trazer o tema ao blog, pois esse princípio de vontade de mudança nos afeta como religiosos, como portadores de direitos de praticar as nossas crenças, pois também temos muito a falar. Nossos terreiros estão localizados, em sua maioria, em periferias, favelas, subúrbios, em zonas onde jovens estão potencialmente em risco. A quantidade de terreiros composta por pessoas bem abonadas financeiramente ainda é substancialmente pequenas, não tenho dados quantitativos pra isso, tenho a minha vivência e percebo a quantidade de terreiros endereçados nesses lugares. E não é possível que apenas eu perceba isto. O povo de terreiro ainda é um povo carente que necessita de políticas públicas direcionadas para eles, não por ser um povo religioso, mas por serem pessoas que estão mais suscetíveis à criminalidade, a uma péssima educação e a um sistema de saúde falho.
Ainda mais que isso, estamos numa onda onde está cada vez mais evidente que os representantes estão cada vez mais distantes dos seus representados, a agenda da sociedade, de prioridades da sociedade, diverge da agenda de prioridades que os governos fazem para a sociedade. Isto é sério e merece vir à tona e ser refletido por todos nós, partes dessa massa super heterogênea que compõe o povo brasileiro. Não é só o voto, não é só estar atento se eu o deputado que nós elegemos é contra ou a favor da PEC 37 ou do infame projeto da “cura gay”. Este também é um momento de nos analisarmos como indivíduos que fazemos parte de uma coletividade e quais são agora as prioridades que queremos delimitar, escancarar e ver resultados.
Mais do que sair às ruas, este é um momento pra tentarmos pensar um pouco fora da caixa, questionar o que está posto, questionar esta “ordem” silenciosa que nos afeta diariamente, questionar se as pessoas que estão manifestando estão apenas querendo chamar atenção, bagunçar e voltar às suas casas como se nada tivesse acontecido ou se estão lá porque estão tão incomodados quanto nós e criaram coragem para enfim começar a reclamar para ver se algo muda. Será que isso tudo não é um grito de “Estamos cansados!” e será que este grito não tem um pouco de cada um de nós?
Será que por aí vem mudança? Tomara.
P.S.: não, isso não é tudo o que eu queria falar. Há muito mais caroços debaixo desse angu. Mas acho importante que este assunto tão latente hoje também percorra as conversas religiosas. É apenas o meu primeiro grito de alerta aqui. Gritem também.
Dayane




Motumbá
.Dayane, concordo com tudo e cito Gonzaguinha também ” a gente não tem cara de babaca “
Com as bênçãos do Odù Oturupon’Irosun, que previu para o ano calendário de Ifá 2013/2014 muitas lutas e vitórias das sociedades e massas.
Oturupon’Irosun diz:
Agbe tigbole
Pakiti feyin jagbon
A mensagem de Ifa para Akanko Èsù.
Ao ir a floresta pegar tartaruga terrestre.
Ele foi aconselhado a oferecer ebo
Ele não cumpriu.
Akanko Èsù.
A tartaruga que você invocou desapareceu.
Você Akanko Èsù.
Comentário: a tartaruga da terra é o ebo Ifá para coragem.
Este verso é um apelo à coragem para enfrentar os desafios do próximo ano.
Ire o
Motumbá
Dayane- Parabéns pela sua matéria,e realmente esta certa, ainda estamos engasgado com muita coisa,principalmente a intolerancia de nossa religião.
DEMORÕ A PAMPA. ——erio , estamos atrazados em relação a ções deste tipo, mas antes tarde do que nunca. mutumbá kolofé saudações.
com certeza tudo isso é o Brasil gritando por socorro,cansado de ser preconceituoso,cheios de impostosestava na hora de tomarmos as rédias por que quem dita as regras é o povo brasileiro a unica raça que existe,que é a raça humana,aquela que se sub-divide em várias,mais é uma só,buscando um só Deus independente de sua religião,Deus é um só mais chamado e ele ouve a nossa voz através de vários nomes,é isso que buscamos igualdade.
valeu pelo espaço para desabafarmos
neto de logun
Parabéns, Dayane, por exercer na prática seu papel de agente transformador! Só um detalhe: “Só que estava cochilando não viu que o gigante já estava acordado.” Vamo simbora que essa luta é de todos nós!
Coragem!
“E o povo negro entendeu que o grande vencedor
Se ergue além da dor” (Caetano Veloso)
Lindas palavras, vc é bem expressiva, parabéns!
Ao ver essa proporção gigantesca q tomou esse manifesto. Posso estar equivocado, mas vejo Esù. O movimento, o orgasmo, o conflito… Ontem participei de um desses, e arrepiava a cada grito, a cada hálito, a cada faixa, a cada suor de braços q se levantavam em sincronia. Era a dança do corpo e a música da alma. A harmonia vibrava as cordas das ruas, e a serpente gigante balançava a sua calda, deixando um eco em cada coração q ali junto pulsava como nas batidas do bravum. Nunca estivemos tão junto, corpo a corpo, pós a revolução dos faces, blogs e etc. E conseguimos juntar net, computador e manifesto corpo a corpo. O sagrado, palco do orgasmo foi pintado, pintado com as cores do país. Assim como se pinta na iniciação. estamos iniciando para um novo paradigma político. O paradigma do brado de verdade, do povo q retumba pelas periferias do Estado e eclode em seu núcleo. E o faz vomitar. Vomitar os descasos, as atrocidades, as nao promessas. Prometem ao povo e não cumpri. Esu é o povo. Gigante q cobra o q fora prometido. E provoca o movimento, a dança, a fúria, a revolução.
Q Esu coloque mais dendê nesse(em seu) padê. Pra quando comê-lo estiver bem quente, ardente…
E cuspa o fogo da mudança…
Laroiê!
Dayane, achei fantástica a sua fala. O grito do povo ainda está abafado. Concordo quando você diz que as entidades religiosas, grupos Gays também precisam fortalecer o movimento. Nesse angu realmente tem caroço, é apenas uma ou duas emanas de protestos irão resolver o problema do cidadão brasileiro. Por ser um ano de nicôce muito ainda está por vir.
Forte abraço.
Meu nome eh natalia. Sou de sao paulo. Curto muitissimo esse blog pois aprendi muitas coisas com ele. Estou na vida espiritual a 1 ano e 3 meses. Sou abyan e na casa que frequento abrange todas as naçoes e minha yalorixa aceita sem preconceito todos os cultos. Ela tem 67 anos de idade e 53 de santo Ela e muito humilde e acolhedora. Sou iniciante e gostaria muito de adquirir mais sabedoriia sobre keto em geral. Principalmente sobre cantigas e danças. Respeito muito o trabahlo de vcs. Gostaria qe entrassem em contato cmg pelo meu email. Adoria conhecer a todos os autors do blog pois sou muito fa deste trabalho. Por favor nao deixem de me responder. Colofé.
Ola
Ola. Preciso muito da ajuda de vcs. Se puderem entrar em contato cmg por email ou telefone seria otimo. Tanho desenove anos. E um ano e meio na vida espiritual. Eh um caso de urgencia e eu gostaria de que vcs me ajudasse com a sabedoria de todos vcs autores do blog. Por olurum me respondam o mais breve. Obrigada.
Natalia você encontrar mais informações visitando meu blog pessoal: http://www.orisaifa.blogspot.com
Ire o.
Iyawo se acalme e vamos conversar.
Ire o.
Como servidora pública federal (há pouco tempo , felizmente) eu acrescentaria que somos “violentados” ainda por servidores encastelados em cargos públicos, trabalhando míseras horas diárias, com regalias inimagináveis ao cidadão comum… Tomara que não seja apenas fogo de palha ou que algum aventureiro (tremo só de pensar em um novo Collor ou na evangélica Marina) tome as rédeas do movimento.
Boa noite! (desabafo!)
Há uma tentativa de fragmentar o movimento, sinto q está perdendo força. Criaram-se um ideal de manifestante, o pacífico e o vandalo. Lembro de Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido q questiona a violencia do opressor q no caso são os que dirigem o Estado, para com os oprimidos. Só violenta quem tem o poder. E o poder de manobrar o Estado via ideologia. Alguns mega-empresários tem o poder. O governo desde a União até os municipios tem o poder, a mídia de direita tem o poder… Assim como em Castell, os cabeças q mantem essa sociedade informacional capitalista(contorlando o capital e acelerando a produtividade) q superou as sociedades industriais estadistas tem o poder. Esses podem violentar. E infelismente há casos hediondos de violência, Como em Bourdie, violência simbólica, q mata centenas de pessoas de classes desfavorecidas na fila do SUS. Verba desviada, ou mal empregada. Escolas caindo aos pedaços, professores multilados pelo descaso e cançasso. 70% dos presos são pobres, negros e semi-analfabetos(não completaram o ensino fundamental). Maior contradição, o ensino fundamental é obrigatório. como não completaram???? O crime passa a ser mais proveitoso q a escola. Há! o Estado sabe disso! Sinto q há uma criminalização dessa pobreza, pois deve favorecer os mega empresários do tráfico. Q são também, por coincidencia, gestores de grandes empresas e de soberania no Estado. Esses tem o poder. o poder das mãos do Estado como em Foucaut. Mas quem apedreja um ônibus, ou atira fogo, não tem o poder, pois se o tivesse, não faria tal coisa. Nem haveria manifestação se houvesse um comprisso mais coeso dos gestores do estado para com seus filhos q agora estão divididos entre bandidos e ordeiros. Mas quem de fato é o bandido nessa violência simbólica de Poder?
Axé a todos!
Jefferson:
O Odù Ìká’Ogbè diz:
Defenda vossos direitos e exija respeito.
Sagrado Odù.
Com que roupa que eu vou (Noel Rosa)?
Eu não sei com que roupa eu vou, mas com certeza eu irei.
É meu e o boi não lambe!
Sagrado direito a tudo que o Estado tem que me retornar, pelos impostos que pago à vista e em dia.
Ire o.
Jeffersom,
A verdade é que tudo se parece bonito e apoiado pela grande mídia enquanto não atrapalha, enquanto as manifestações ocorrem tal qual manadas controladas. Quando percebe-se que a manada não quer aquele controle, quando se percebe que a manada quer traçar o destino da caminhada o poder entra em jogo. De forma escancarada é isso que acontece agora; uma semaninha, duas semaninhas bastam de manifestação, mais que isso pra quê? O estado tratando os manifestante como tratam crianças quando birram muito “acabou a graça, vá pro seu canto e comporte-se”.
Não é que haja uma fragmentação das manifestações, pois elas já nasceram fragmentadas. Agora a população que apoiava estas manifestações – porque a mídia apoiava – agora não apoiam mais – porque a mídia não apoia. As partes das manifestações mostradas pelas grandes mídias taxam os movimentos como vândalos e não mostram a truculência que muitos manifestantes são recebidos por ordens dos governadores, os grandes comandos dos estados.
Sou muito jovem e é a primeira vez que vejo tudo isso acontecer, e sinceramente não sei quais desdobramentos isso tudo ainda terá, pois uma grande parte da população já não admite, já pedem em coro com a mídia pelo fim disso, porém muita gente que anda presenciando a realidade nas ruas, muita gente que percebe como errada a truculência distribuída para “proteção e manutenção da ordem” estão dispostos a continuar. E percebo que estes dispostos a continuar são os mesmos que já estavam acordados antes do “gigante acordar”, estes que sacudiram o tal gigante.
Obrigado Da ilha e Dayane!
Bm dia a todos!
O q escrevo é sério! (licença Dayane)
na atualidade com os aparatos tecnológicos, como filmadoras, máquinas fotográficas, celulares e etc. Com um pouco de vaidade e também como divulgação, várias casas de axé e seus adeptos postam costumam postar coisas pertinentes a sua nação nesses meios de comunicação, mas dentro de um limite permitido. Acredito ser positivo. Entretanto, as críticas feitas por acéfalos me deixa indignado. Donos/as de um pejorativo próximo ao uso q fazem dos seus cérebros. Se essas críticas, assim como costumeira viessem dos neoevangélicos, não seria de estranhar.Mas a maios porcentagem, pelo q percebo é oriundo dos próprios adeptos de matriz africana. Geralmente quando assisto alguns vídeos no yoo toobe da vontade de chorar. Fizeram críticas bem “baixa” há um sacerdote vodumsim(n postarei o nome, mas é bem conhecido p “todos”) q é um dos poucos q teve coragem de fazer DVD´s e divulgar parte dessa cultura p todo país. Com bastante respeito e profissionalismo. Alegando ser “marmoteiro”, os críticos acéfalos esquecem de q Joaosinho da golmea, por exemplo, um dos ex adeptos desses cultos de matriz africana fora extremamente criticado. Mas foi um dos poucos q gritou para q as casas de candomblés da Bahia parassem de pagar imposto ao governo baiano. Foi um dos poucos q comunicou ao presidente Juscelino a perseguição q as casas de candomblé sofriam. Critiquem, mas faça algo concreto para mudar esse nosso quadro de intolerância, sobretudo. Outro dia no face, observei algumas iyalorixas e seus filhos “zombarem” com agressões verbais e palavrões de uma casa q postou fotos da saída de um iaô aqui do Brasil. Mas ninguém criticou as fotos de um sacerdote de culto aborígene q postou fotos de saída de seus filhos na Nigéria, e nao criticaram um outro sacerdote(africano), mas em sã Paulo q postou fotos de fundamentos de Esu, extremamente raro e q deveria ser “escondida”. Por que não o criticaram?? pelo fato do cara ser bm de serviço e, sobretudo sacerdote de culto aborígenes. Ele iria acabar(nos argumentos) com essas pessoas. Enquanto brigamos entre si, os neoevangélicos se fortalecem nas câmaras e senados. Quase elegeram um prefeito na cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. E estão cada vez mais se elegendo, enquanto os adeptos de culto de matrizes africanas, medem força de qual casa é mais certa, mais pura e mais forte… O vigia e fiscal dessas casas é Esu, a ele cabe essa função e não a esses acéfalos despreparados, insolentes, e irrespeitosos. Porq não usam dessa criatividade em críticas pejorativas, e criam uma associação q fortaleça as alianças entre as nações de matrizes africanas, e desmistificam algo q acreditam estar errado. Mas isso deve ser feito, com estudo, tolerância, educação, respeito e inteligência(uso do cérebro)
Axé!
Na primeira escolha de Senadores, em 1826, para só falar nos que foram nomeados, o Pará elegeu J. J. Nabuco de Araújo com 94 votos; o Rio Grande do Norte elegeu Afonso de Albuquerque Maranhão com 21 votos; Alagoas elegeu Felisberto Caldeira Brant Pontes com 67 votos; o Espírito Santo elegeu Francisco dos Santos Pinto com 31 votos; Santa Catarina elegeu Lourenço Rodrigues de Andrade com 32 votos; Mato Grosso elegeu Caetano Pinto de Miranda Montenegro com 10 votos; São Paulo elegeu José Feliciano Fernandes Pinheiro com 108 votos; o candidato que alcançou maior votação foi Francisco Carneiro de Campos, na Bahia, com 502 votos. Nos meiados do século, o Amazonas, em 1852, levou ao Senado Herculano Ferreira Pena com 45 votos; o Espírito Santo, em 1850, a José Martins da Cruz Jobim com 64 votos; Mato Grosso, em 1854, a José Antônio de Miranda com 65 votos. Nos fins do regime, era ainda possível a escolha de um senador preferido por apenas 158 votos, como aconteceu, no Espírito Santo, em 1879, com Cristiano Benedito Otoni. O senador que alcançou maior votação em todo o período monárquico foi Evaristo Ferreira da Veiga, em 1887, em Minas Gerais, com 10.572 votos, sendo escolhido em detrimento de Manoel José Soares, que alcançara 10.900 votos. Logo após a adoção da eleição direta, e em um dos maiores colégios eleitorais do país, na Bahia, Rui Barbosa foi reconduzido à Câmara com pouco mais de 400 votos. Claro está que o povo não participava dos pleitos eleitorais e, portanto, na época, da atividade política, e, conseqüentemente, do poder.
Da ilha, um enredo é osun, yansa, omolu e ogum…mas tenho um amor, enorme, por omolú….meu zelador, cuida de mim, mas sinto no meu coração…e quero fazer alguma coisa em casa para o meu omolú..o que eu poderia fazer ?
Elaine fazer um Ilè òrìsà em casa é prerrogativa do iniciado.
Se você deseja tanto, se você ama tanto.
Mergulhe meninaaaaaaaaaaaa, se inicie logo.
Ire o.