Temos um post de Bàbá Fernando que nos fala da importancia do Ebó e do sacrificio, muitas vezes nos vemos em situções dos mais variados graus de dificuldades, sempre pensamos que nosso òrìsá ou mesmo Esú não estão satisfeitos com alguma coisa ou tem alguém atazanando nossa vida, ledo engano, muitas vezes temos ajoguns (energias negativas) nos bloqueando o caminho e somente com sacrificio poderemos transpor estes obstáculos, ebó é vida, ebó é caminho, sem ebó não existe culto a òrìsá.
Wori’Ogbe, (Iwori Ogbe) um dos Odù mais velhos (discípulo) de Òrúnmìlá, nos revela a influência em nossas vidas da divindade chamada “Infortúnio”. Elenini (Ido-Boo) é a guardiã da Câmara interna do Palácio divino de Olodunmarè, aonde todos vamos nos ajoelhar para fazer os pedidos e juramentos para a nossa permanência no mundo. Uma vez tendo completado as providências para nossa partida, seremos conduzidos por nosso “Eledá” à câmara interna, aonde fazemos nossos próprios desejos. Eledumare não nos conta o que vai ou não vai acontecer conosco ou nos dar algum desígnio especial. Tudo aquilo que vemos, desejamos fazer ou transformar, Ele simplesmente abençoa dizendo: “- Que assim seja minha criança!” Quando Wori’ogbe estava indo para a terra, ele fez um pedido, que queria modificar a face da terra, eliminando todo mal e elementos viciosos. Para ser capaz de executar sua tarefa, ele solicitou de Eledumare um poder especial sobre a vida e a morte. Eledumare respondeu que seu pedido estava concedido. Envolvido pelo poder concedido a ele por Eledumare, partiu rapidamente em sua jornada para o Ikole aiyè ([terra]. Seu Eledá o relembrou da necessidade de assegurar seus pedidos com Elenini a mais poderosa divindade, mas ele disse ao seu anjo que não havia força maior que Eledumare e desde que ele tinha obtido autorização divina, não via porque se justificar com alguma divindade inferior. Assim que deixou o palácio divino, Elenini inverteu os desejos de Woribogbe. Na chegada ao Àiyé, ele descobriu que ao contrário de seus pedidos, estava se encontrando por acaso em dificuldades. Veio, a saber, que tudo aquilo que ele pediu estava acontecendo sempre ao contrário. Quando ele rezava para pessoas viverem, eles morriam, enquanto aqueles que ele desejava mortos viviam. Ele se tornou muito amargurado e desiludido, por que ninguém se atrevia a ir até ele para consultar o Oráculo, ou pedir auxílio, desde aquilo que havia feito, pagava muito caro por isso. Após passar fome dentro de sua frustração por algum tempo, ele decidiu retornar ao Ikolè Òrun [céu]. Chegando ao Òrun, ele foi ao seu Eledá que o relembrou do aviso dado a ele antes da partida do Òrun. Foi neste ponto que ele concordou em ir ao Oráculo, aonde foi informado a fazer sacrifícios elaborados para Elenini, a mais velha das divindades. Ele fez o sacrifício e retornou subseqüentemente para o Àiyé para uma vida produtiva e realizada.
Onon alafiá.




Agradeço!!!
lindo!
Obrigado por compartilhar mais um pouco de conhecimento.
Anderson, áse.
Gostei muito do texto, muito instrutivo como sempre. gostaria de utilizar esse espaço para tirar algumas duvidas. não existe trocas entre as nações, quem se inicia jeje não pode, ou não deve, mudar para ketú?. a pratica religiosa esta vinculada ao Ilê no qual a pessoal foi iniciada ou a mesma pode mudar de casa ou então reduzir a frequência na mesma?
Julio, claro que vc pode, porém, tudo começa do zero. Iniciação, tempo de iniciado e etc…Mudar de Casa é o uqe mais vemos nos dias de hj, mas não é correto, salvo aquelas famosas excessões, aberrações de zeladores despreparados, sucessão, com mudanças radicais e por ai vai. Mudar frequência é uma falta grave, pois somos adoradoresde òrìsá e submissos a eta energia, portanto afastar-se dela não é uma boa atitude, nosso culto é presencial, não existe essa coisa de ficar em casa rezando, tem que ir para receber benção e àse.
Ire o.
Boa noite…preciso de um conselho. Quando conheci meu esposo, estava frequentando uma casa de candomblé (angola), o conheci atravez de um amigo do ile que é ogan, nessa epoca meu marido era catolico praticante e me aceitou, mesmo ñ gostando da religião, hoje eixou e ser catolico pra ser umbandista, e não me aceita de forma alguma no candomble, ainda não fiz nenhum ritual de iniciação, mais é o meu maior desejo, dentro do candomblé de keto, mas não quero fazer sem a aceitação dele, quero que seja bom pra nós dois. Ele não aceita pelo sacrificio, pelos preceitos etc….o que fazer?
Magali, isto é uma questão de cama de casal, onde a conversa é mais franca e aberta. Se ele não estudar a religião africana e não tiver entendimento do que é a imolação e o sangue, realmente ele nunca aceitará nos dogmas. Portanto na cama na hora de uma boa conversa, vc o convençe a se instruir e demolir de vez este pré-conceito sobre nossos rituais, aqui mesmo no blog, em minha foto, vc verá vários post sobre o tema.
Ire o.
Que linda história e lindo ensinamento!
Lindo ensinamento e historia
Nunca entendi essa aversão ao sacrifício. um animal pode ser morto para uma festa mas não para honrar a D’us…
o homem vive no limite de seus conhecimentos…
Gostei muito do texto. Parabéns!
Boa tarde caros!
Gostaria de saber qual o Ilá da Oyá ? Eu já presenciei várias manifestações de Iansã e todos os Ilás me parecerem diferentes.Eu li aqui anteriormente que só existe 1 tipo de Ilá por Orixa por isso,fiquei curiosa,o que Iansã “fala” quando incorpora ?
Obrigada,Patrícia
Patrícia,
cada ser humano tem uma intonação de voz, mas em linhas gerais, as Oyás são bem parecidas. O ilá é um brado pessoal do Orixá, sua ligação com o ser humano, só você vivenciando para entender melhor.
Axé.
Muito obrigada Fernando,mas que tipo de mensagem está no Ilá das Oyás?
Patrícia,
Entendo como a sua energia em sí, que vem de dentro e explode no ar.
Axé.
Que lindo………..muito obrigada Fernando e parabéns!!
Da Ilha , obrigada pelo conselho, mas conversar infelizmente não funciona inclusive exite um ilê aqui em campinas que da palestras referente ao candomblé mais infelizmente ele também não quer ir,a 8 anos tento convence-lo mas acho que será impossivel. Mais muito obrigada, eu particularmente venho aprendendo muito com voces.
Magali, quem disse que o esposo é mais forte que a esposa. Òyà é mais braba que Sàngo. Perseverar, uma das ordens máximas de Ifá, como desistir?
A verdade as vezes está dentro do buraco, temos que entrar no buraco e buscar esta verdade. Não desista, Ori é soberano, porém temos formas de consertá-lo se ele estiver com problemas.
Lutar e sacrificar, é assim nossa vida!
Ire o.
Da Ilha
Tenho uma certa dificuldade para identificar no jogo essa influência de Ajoguns?
Através de odus ?
Amarração de igbo?
Costumo usar os simbolos que identificam os varios tipos de ire e ibi
Não que eu jogue com um caderninho na mão…mas tenho essa falta, eu diria falta de malicia e tempo de jogo para poder identificar mais precisamente essa influência.
Me dê uma luz Babá
ire o
bjs
Michelly
Michelly, as respostas a este questionamento passaram pelo fundamento do jogo ou por uma resposta muito superficial que não lhe dirá absolutamente nada.
Procure informaçãoes em alguns livros, estão postas de forma bem clara, porém o estudo mais profundo vai lhe clarear a cabeça.
Ire o.
Excelente contribuição, caro irmão!
Axé a todos!
Jango batista de obaluaye
Oju Oba Tunde Ogan Don Rama…
Meus agradecimentos por mais esse conhecimento que acredito ter sido uma mensagem do meu Odu o qual estava passando pelas adversidades enquanto não louvou a “Divindade Elenini…
Ibá Àse…
Bom dia!
Gostaria que alguém me tirasse uma dúvida a respeito de nações. Ijexá é uma nação de candomblé?
Sempre ouvi este nome e pensava que era uma nação, mas recentemente assisti a um documentário da Tv Futura – Mojubá, e lá só se falava em Jeje (Dahomedanos, Tambor de Minas), Kêtu (nagôs, iorubanos) e Angola (bantu, congo).
Agradeço muito se alguém puder me dar uma resposta.
Mojubá!
Henrique,
Ijexá é uma grande cidade na Nigéria onde há cultos a vários Orixás, dentre eles Oxun. Ijexá também é um ritmo característico pois é tocado com as mãos. O Ijexá e sua liturgia foi Incorprado em algumas nações do candomblé brasileiro,dentre elas o Ketu e o Efan.
Axé.
Mojubá Fernando!
Muito obrigado pela explicação. Eu sou nascido e criado em Umbanda e sou abiã no Candomblé de Ketu, mas o mais importante é que eu sou apaixonado pela cultura afro e pelas religiões afro-brasileiras.
O blog de vocês ajuda muito as pessoas que são sedentas de estudo e entendimento assim como eu, recentemente comprei dois documentários sobre candomblé (Dança das Cabaças – Exu no Brasil e Mojubá) também comprei um DVD de introdução ao idioma Yorubá que está sendo de grande ajuda e entendimento.
Estou estudando bastante, sempre fui muito mistico, sempre adorei ocultismo, espiritismo e afins, também pudera, meu Odu é Irosun, tenho uma intuição e tanto.
Mais uma vez, minhas saudações!
Mojubá!
Nelson,
Eu tenho uma duvida, acho que voçê pode me ajudar, sou filho de ogum de lei com oxum meu segundo santo é oxossis, tenho praticamente todos os outros, digo, preto velho etc… como eu estou iniciando agora, quando meu ere veio eu fiquei um pouco conciente, e isso aconteceu também quando ogum veio, quando o caboclo de ogum veio eu praticamento não vir nada, o mesmo aconteceu quando ogum veio pela primeira vez. A pergunta é se tem alguma relação com o fato de eu estudar muito e está com a cabeça sempre cheia de preocupação com as faculdades.
Estou com um magno problema, contudo sei que aqui existem pessoas entendedoras de Angola inclusive. Minha mãe de (no) santo viu nos búzios que Ogum grita por feitura. Mas vejam bem, há a sentença que diz que Inkisse é inkisse, Orixá é Orixá. Ela (mina mãe) é feita em ENGENHO VELHO, décadas atrás; mas passou pelas águas de angola depois mais tarde, por motivos que não vou aqui citar. Hj em dia ela toca ANGOLA. Mas, se Ogum (Ogum JÉ AJA) e meu orixá confirmado em jogos realizados tb em outros lugares, não poderia ser raspado em angola, pois, soube por um axogum amigo meu que é impossível raspar ogunjá em angola. E, também penso, que se pressupõe inkisse na casa de minha mãe de santo, lá se cultua n’kosi e não Ogum, muito menos Ogum je aja. Mas, também disseram-me que dependendo da raíz é possível culto a orixás e inkisses em angola. Eu preciso ouvir a verdade dos senhores, já que por caridade, peço, haja vista uma feitura é algo sério demais para ser negligenciado. AGUARDO UMA RESPOSTA, ainda que seja complexa a minha dúvida.
André a melhor pessoa para lhe dar uma opinião sobre Angola é o Tata Euandilu, apenas posso lhe dizer que Ògúm é òrisá não é Nkise. O espirito do ferro tbm é cultuado em Angola, mas não haverá esta nomenclatura e nem os fundamentos da nação Ketu/ Nago.
Ire o.
Obrigado pela resposta, e, efetivamente não pretendo dar continuidade na casa onde estou , já que não possuo assentamentos, nem foi feito nada ainda. De fato Ogum é ORIXÁ e com todo respeito que eu tenho a Angola. Meu coração e minha mente correspondem favoravelmente ao Efan de um amigo meu babalorixá que sempre me convida para as saídas em sua casa, e, esta senhora que conheci mãe de santo em meu bairro é excelente pessoa, mas, infelizmente não há como cuidar de OGUN JE AJA por lá, inclusive, ainda mais que ela está sozinha, não há ekedji na casa. E, não se faz ekedji da noite para o dia, tampouco, um Orisà ou Nkise. Por melhor que ela seja, eu sou livre, meu coração me leva para Efan.
corrigindo: ekedji por cota.
André na Nação Efon vc cultuará Gu, o Vodoo do espirito do ferro. Ogun é òrìsá de culto Keto/Nago, somente em nossa nação poderá ser cultuado com este epiteto.
Sobre esta deidade, Gu, o nosso amigo e moderador Charles poderá lhe dar mais explicações.
Ire o.
Fabio,
Isto acontece porque você cultua entidades de energias diferentes, na Umbanda cultua-se caboclos, preto-velhos, exús de trabalho, ibejadas. Orixá é somente no candomblé e principalmente na nação Ketu/Nagô. Quando misturam tudo, perde-se a essência. Dedicar dias específicos aos cultos pode ser uma saída, aliás, a Umbanda era assim:
Segunda-feira: dia de Preto-velho
terça-feira: dia de caboclo
quarta-feira: dia ibejadas
quinta-feira: desenvolvimento
sexta: Exú (catiços em geral)
Aí começaram a introduzir os Orixás, Inkísses, santos católicos, ciganos, na Umbanda pelas legiões, etc, mais apenas através do sincretismo, sem fundamento algum e está até hoje assim.
Lembro que cantavam:
“Umbanda, onde estão os seus caboclos? (bis)
Eles vêm de longe,
Do centro do Juremá,
Com seus saiotes de penas,
Na Umbanda saravá!
Vai estrela tão brilhante
Que ilumina esse gongá!
Vai buscar caboclo ….
Pra vir pra Umbanda trabalhar”
Fernando D’Osogiyan,
Gostei da resposta, mas a minha principal duvida ainda continua.
Fábio ficar ou ser consciente durante a incorporação é natural. Umas são mais completas outras nem tanto, o quantitativo de energia do momento vai dar esta diferença. O que vc tem que ter em mente é que seu Ori jamais pode atrapalhar esta interação entre vc é a energia. Afaste-se e deixe a energia fluir e não tenha vergonha de abrir os olhos ou dizer que é vc que está ali se a energia se afastar. Este vai e vem é normal e saudavel na sua relação com ela.
Ire o.
Gostaria de saber um pouco mais sobre Elenini; tais como, cores, assentamento e seus filhos.
Grata
Maria, Elenini é uma energia conhecida popularmente como obstáculo. Temos o post que esclarece sobre este assunto e espero que vc tenha lido. Não há como sanar sua duvida a respeito deste assunto. Pois se analizarmos a luz dos fatos quem gostaria de ter um assentamento do OBSTÁCULO e cultuá-lo?
Quem gostaria de tirar o OBSTÁCULO NA SALA, EM UMA GRANDE NOITE E AINDA POR CIMA REVERENCIALO E TIRAR O NOME?
QUEM GOSTARIA DE SER PADRINHO DE ORUKÒ DO OBSTÁCULO?
Quem gostaria de dar comida e bebida para o OBSTÁCULO?
Esta metafora africana nos mostra a importancia de fazermos sempre sacrificio para conseguir-mos nos manter equilibrados emocinal e materialmente durante nossa passagem pelo mundo, devemos sempre estar sacrificando e não apenas e somente com dinheiro, devemos sacrificar nosso tempo, em prol de òrìsá, de uma pessoa que precise de nossa ajuda, de um idoso que necessita de cuidados, na adoção de uma criança abandonada, enfim temos muitas feridas a serem cuidadas, nossas e dos nossos amigos e parentes. Não vamos exaltar o OBSTÁCULO, pois ele existe apenas para nos forçar a não evoluir, não crescer espiritualmente, não crescer culturalmente, não crecer como marido, pai, filho, sobrinho, neto etc…
Vamos cultuar Esù L’Onon e Ògúm, senhores do caminho aberto, livre e desempedido.
Ire o.
Olá; li e reli sim o post; mais surgiram essas duvidas pelo simples fato de que nós devemos fazer sacrifícios, e nisso pude entender na parte em que o senhor diz assim no texto: […] “Na chegada ao Àiyé, ele descobriu que ao contrário de seus pedidos, estava se encontrando por acaso em dificuldades. Veio, a saber, que tudo aquilo que ele pediu estava acontecendo sempre ao contrário.”, com isso entendi que deveríamos agradar a Elenini sempre para q tudo oque fizéssemos não fosse interpretado de forma errada por ela; e já q devemos agradá-la eu achei q para q isso seja possível nós tínhamos de assenta-la e para poder agradá-la…
Grata…
Maria, desculpe se fui direto demais, mas não vamos cultuar Elenini, vamos pagar o nosso ebó, fazer nosso sacrificio e pedir a Esù que apazigue esta força, que eu considero o negativo mais poderoso, e nos deixe caminhas tranquilamente. Porém este apaziguamento somente deve ser feito por alguém preparado para tal e com autorização do oráculo, não de se deve mexer com esta força pelo seu bel prazer, podemos estar despertando um monstro.
Ire o.
Agora pude compreender bem Babá; não nos cabe agradar a Elenini ( o tão temido Obstáculo) temos de agradar a Esú e o outros orisás e o resto eles fazem por nós…
Grata e asé…
Maria, vc acertou na mosca, quem apazigua estas forças negativas é Esù pois ele é o único que transita entre estes dois mundos, ajoguns e òrìsás.
Ire o.