
Candomblé Jêje
Dahomé, o berço da nação Ewe e fon, denominados Jêjes, no Brasil, enumeram-se em diversas tribos como os Agonis, Axantis, Gans, Popós, Crus etc. Os primeiros povos jêjes tiveram como destino São Luis do Maranhão, onde ainda se mantém vivas as tradições religiosas trazidas da terra mãe, África. Também se encontra o ritual jêje em Salvador, Cachoeira de São Félix, Pernambuco entre outros estados do Brasil como Rio Grande do Sul e São Paulo, que também importou os rituais desta nação.
O negro descendente do Dahomé, hoje Benin, trouxe consigo o culto à suas divindades chamadas Voduns, cujo Deus Supremo é Mawu , a quem são subordinados, assim como Olodumaré o Deus Supremo dos Orixás Yorubás. Diz a Mitologia Fon que Mawu tinha um companheiro chamado Lisa, e são filhos de Nana Buruku (ou Nana Buluku), a grande mãe criadora do mundo. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Eles eram pais de todos os outros Deuses. E existem catorze destes deuses, que eram sete pares de gémeos. Este relato é um mito do primeiro povo do Dahomé, os Fons.
O culto aos Voduns teve ênfase na Bahia, conhecido como Candomblé Jêje, e no Maranhão Tambor de Mina.
Nos terreiros mais influenciados pela mina jêje, o predomínio, em certos grupos, é de mulheres como filhas de santo. Os devotos têm que se submeter a longo processo de iniciação. Os detalhes dos rituais são pouco comentados, não há rituais públicos de iniciação; a cada comunidade, apenas duas ou três pessoas se dedicam ao ritual completo de iniciação. Em geral as Vodunsis dão poucas informações sobre os rituais relacionados com o culto, os segredos são mantidos a sete chaves.
Assim como os Orixás do Batuque, os Voduns incorporados, conversam com a assistência, dando bênçãos, conselhos, deixam recados e mantêm os olhos abertos. È comum no culto jêje fazer provas com os iniciados incorporados com os Voduns, como, por exemplo, mergulhar a mão no azeite de dendê fervendo.
Algumas casas de jêje tiveram influencias dos yorubás e vice-versa, formando o que se chama de cultura Jêje-Nagô. A exemplo do candomblé, as instalações dos terreiros contam com um barracão central para as danças, pequenas casas reservadas para as diferentes famílias de divindades, onde são mantidos os assentamentos. O forte sincretismo prevê, também a instalação de uma pequena capela com altar católico, há uma cozinha, quartos para dormir e se vestir e quarto onde os iniciados ficam recolhidos durante as obrigações. há também a casa de Legba, onde são feitas grandes obrigações.
A iniciação jêje requer um longo período de confinamento, que pode durar de seis meses a um ano de reclusão, onde um Vodunsi aprende as tradições religiosas jêje como: danças, cantigas, preparo das comidas sagradas, cuidar de árvores e espaços sagrados, votos de segredo e obediência. As entidades são assentadas, recebem sacrifícios de animais, comidas, bebidas e outros presentes. Os assentamentos são preparados em pedras, que representam um “imã” que tem a força do Vodun, e ficam guardadas no quarto de segredo recobertos com jarras, louças e ferramentas. Existem, também, assentamentos em outras partes da casa e do quintal marcados por árvores como a cajazeira, ginja e pinhão branco. È comum ter assentamentos no centro do barracão de danças; assim como em outras nações, no culto jêje também são feitos rituais de limpezas, banhos com ervas e muitas preces. Nos rituais antigos o contacto com os voduns dependia muito da vidência das Vodunsis, e a adivinhação era feita através da interpretação dos sonhos, consulta com os Voduns e exame da luz de velas, actualmente é comum o uso dos Búzios para consultar as divindades.
As casas de jêje, além do culto aos Voduns, também incorporam em seus rituais alguns orixás nagôs. O panteão jêje é numeroso, sendo os Voduns agrupados em famílias como: Dambirá, Davice, Savaluno e Queviossô.
As actividades religiosas requerem um extenso calendário com rituais reservados aos iniciados, e em festas públicas que duram um, três ou sete dias; no final das obrigações todos comem as comidas preparadas com a carne dos animais oferecidos em sacrifício às divindades.
Mawu é o ser supremo dos povos Ewe e Fon, criador do mundo, dos seres vivos e das divindades. Mawu (feminino) e Lissá (masculino) forman a divindade dupla Mawu-Lissá cujos Voduns são filhos e descendentes de ambos. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.
A casa de jêje chama-se Kwe, e o local destinado ao culto dos Voduns é chamado Hunkpame, que é o templo onde está dentro a divindade; é chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa, que são responsáveis pelos ensinamentos aos futuros Vodunsis.
No Rio Grande do Sul, os terreiros que ainda mantém firme a cultura Jêje, nota-se a conservação de certas obrigações, à exemplo, nos assentamentos de Ogum Avagã cujas ferramentas usadas são as mesmas para o assentamento de Gu no Dahomé, e algumas não tem o uso do okutá; e também há nomes de Orixás que usam o mesmo dos Voduns, como por exemplo Dã, cujo Orixá de uma famosa Yalorixá da nação Jêje chamava-se Dã e um outro antigo Babalorixá de Porto Alegre pertencente a esta mesma nação, tinha o assentamento de Sobô; (Sobô é nome de um Vodun do Dahomé). Dos pais e mães de santos actuais, da nação Jêje do Rio Grande do Sul, muitos desconhecem a palavra Vodun; deve-se este fato ao predomínio da nação Ijexá, de origem Yorubá que acabou absorvendo as demais, e o termo Vodun com o tempo deixou de existir; mas é certo que a linguagem usada nos cantos rituais e o uso dos aquidavís para percussão dos tambores, o uso do Gã (instrumento de percussão), entre outros fatos reflectem muito os fundamentos do antigo Dahomé.
Há casos em que as tradições culturais africanas resistem, mais que em outros, à mudança, mas em nenhuma instância, nem mesmo nos terreiros mais antigos e ostensivamente zelosos à suas origens, deixou de existir, contudo, se tivesse, no sul um maior interesse em pesquisar a origem dos fundamentos de cada nação é certo que achariam a ligação directa do jêje praticado aqui, com os povos do antigo Dahomé, e assim por diante.
O que sobrevive da vertente jêje como legado cultural acha-se incorporado ou associado ao acervo Yorubá, embora não se fale em Vodu no Rio Grande do Sul, certas práticas da religião do antigo Dahomé, hoje Benin, podem ser detectadas no Batuque do Rio Grande do Sul, principalmente nos terreiros que fazem parte da raiz do falecido Joãozinho de Bará (Esú Biyí).




Laura bom dia, que bom termos visita de pesquisadores no blog, volte sempre.
Vc pode encontrar mais informação na Fundação Pierre Verger na Bahia (tem site) e nos livros, Mitologia dos Orixá de Reginaldo Prandi ( no google digite pagina pessoal de reginaldo prandi a pesquisa leva para as obras do autor), Orixás de Pierre Verger e Candomblé da Bahia e nas obras de Nina Rodrigues. Espero podermos colaborar contigo, e sobre as “amarrações creio que a própria Manuela vai te responder. Tomege.
Laura Freitas boa noite, as diferenças entre as “nações” quando levadas ao pé da letra são enormes, mas na maioria das Casas esses assentamentos tem semelhanças. Me envie seu e-mail que eu vou te indicar algumas Casas ou zeladores aqui no Rio de Janeiro. Tomege
Oi Nelson ! Meu email é laurafreitas@hotmail.com ! Aguardarei as informações. Na verdade sou de Belo Horizonte, mas será útil saber sobre as Casas do Rio sim! Obrigada !
Bom dia, gostei muito do material desse site. Peço que por favor envie ao meu email os end e fones de terreiros que seguem a tradicao jeje aqui em sao paulo (capital) . Gostaria de endereco de “casas” que seguem fortemente a tradicao Ewe e fon, e que tenha pouca ou nenhuma influencia yorubás.
Muito Obrigado de um leigo que ama essa cultura.
Fernando boa tarde ficamos muito felizes com sua visita, mas nosso trabalho por ser voluntário, não nos permite que tenhamos este tipo de serviço tão individualizado. Sobre as Casas de São Paulo há na Internet uma lista completa na pagina pessoal do Prof Reginaldo Prandi. Grato pela visita Tomege do Ogum
É importante estarmos quebrando os paradigmas das religiões tidas “civilizadas”, e mostrar através de estudos que as religiões de matriz africana estar ligada com a construção desse país. Criou-se no imaginário popular atrvés dos discursos ecleciásticos, que ess culto é coisa do mal ou demôniaca. Devemos desconstruir estes discursos e problematizar a importância do culto dos orixás na edificação da cultura Afro.
Eduardo…estudante de História
Irmão! sou de Porto Alegre-RS e estou muito feliz em vc sitar minha familia religiosa em seu texto quando fala do Jeje no Rio grande do Sul, bem a Sra que vc cita sendo de Dan é minha saudosa Avó de Santo Mãe Catharina de Dan e o Sr que vc cita sendo de Sogbo é o Saudoso Pai Zé de Sogbo conhecido por Zé da Saia de Sogbo, ambos filhos do saudoso Pai Joãozinho de Esu Biy que foi o grande nome do Jeje aqui no estado e hoje ainda tem filhos dele vivos e netos e bisnetos como Eu que tentam manter sempre viva as tradições inclusive realizando os toques com aguidavis. Forte abraço
A sua benção Pai Leo de Oxalá!
É uma honra ter a sua visita e o seu comentário neste espaço de divulgação da nossa religião. Gostei também do seu blog, tanto que já o linkei para que mais pessoas possam ter acesso a ele fácilmente. É bom contar aqui com a diversidade e a comunhão de ideias da nossa religião. Como representante de uma família religiosa de origem Jeje sinta-se livre para partilhar connosco os seus pontos de vista. Aqui todas as nações se unem sob um só nome, Candomblé.
Abraço.
Axé!
Olá Eduardo,
Obrigada pelas suas palavras, com as quais aliás concordo em absoluto. O nosso objectivo neste blog é precisamente caminhar nessa direcção, quebrar paradigmas, desmistificar e mostrar a nossa religião e toda a sua importância e beleza.
Volte sempre.
Axé!
Bom dia, obrigado pelo lindo trabalho de voces que é de grande valia para a busca pessoal daqueles que ainda acreditam no Grande Caminho, sou profundo adimirador do candomblé Jeje, estou a procura de um local para frequentar e seguir de forma tradicional e seria. Porem ainda tenho algumas duvidas nao esclarecidas, e agradeço caso possa me responder via e-mail, Qual a diferença entre JeJe, Mina-jeje, jeje-nago, Mina-jeje-nago (ouvi falar de uma casa assim). Caso tenham enderecos e fones de casas que sigam essas tradicoes em Sao Paulo eu agradeço, sei que nao se responsabilizam pelo trabalho de ninguem e que minha visita a esses locais seram de minha inteira responsabilidade.
Att
Fernando
Por que tao ficil achar uma casa de candomble de naçao Jeje?
ops
Por que tao dificil de achar casa de candomble de naçao Jeje?
Prezado Fernando de Alencar,
Nós é que agradecemos a sua visita nesta casa, que também é sua.
Louvável a sua decisão em encontrar um casa séria para iniciar ou continuar sua jornada religiosa.
O pesquisador Reginaldo Prandi mantém uma página pessoal na internet, que pode ser acessada pelo google, que traz endereços de candomblés em São Paulo, além de disponibilizar para download gratuíto o livro “Os candomblés de São Paulo.”. Pode ser que lá você encontre alguma casa de tradição Jeje.
Com relação a sua dúvida, de supetão, não sei esclarecer. Vou buscar uma explicação bem elaborada e de fácil assimilação e então posto para vocÊ. Combinado?
Um abraço,
Artur.
Prezada Daniele Filha de Oxóssi,
Acredito, e esta é uma opinião pessoal, que seja em decorrência da complexidade do rito, que com o passar do tempo, acabada inevitavelmente recebedno a influência de outras nações.
As casas que sobrevivem a este processo são poucas, mas existem, é só procurar com carinho.
Espero tê-la ajudado.
Um abraço,
Artur.
muito obrigada
mi deu esperanças
Muito bom, excelente a matéria. Gostaria também que vcs visitassem meu site.
Contem muitas informações e também estamos dispostos a responder as perguntas relacionadas a nação Jeje.
Rafael visitei seu blog mas não achei onde deveria deixar um comentário, por isso estou postando aqui mesmo. Me oreinte como deixar comentarios lá pf. Tomege do Ogum
Olá Boa Noite
Gostaria que se possível algúem me informasse o nome / localização de casas de candomblé da nação Ketú ou Jeje em Belo Horizonte, já procurei muito e ainda não encontrei nenhum.
Se algúem puder me ajudar
Obrigada a todos e parabéns pelo site e por todas as informações
EU GOSTARIA DO UM ENDEREÇO DE UMA CASA DE CANDONBLER JEJE EM CACHOEIRO DE SAO FELIZ,O MAS RAPIDO POSSIVEL,ESTOU QUERENDO FAZER UMA VISITA LA,OBRIGADA
Olá Monica
Vc conhece Cachoeira do São Félix?
Vc pode procurar a Irmandade da Boa Morte,foi um dos primeiros terreiros de lá,e então obter informações de outros terreiros.
http://www2.uol.com.br/mochilabrasil/cachoeira.shtml
Esse site fala sobre a cidade
axé
Olá meus caros!!
Achei aki as informações que eu queria!
Não sabia que já tinha!
rsrsrs
Zambe!!
sou gege mina e sou filha de aziri tobose
Olá,
Voces tem o endereço de algum site ou nome de livro onde poderei ler e estudar mais profundo sobre a diferença e semelhança das nações do candomble?
Obrigada!
Olá Monica
Não conheço nenhum livro que faça essa comparação/diferenciação entre nações, vc deve ter visto que temos 3 textos falando sobre o assunto,mas o que posso lhe dizer é que para diferenciar só a vivência no meio do candomblé.Claro que se dando preferecnia a vc frequentar casas que tenham orgulho de sua tradição e que não fogem a ela para agradar a clientela,que é o que vemos rotineiramente.
axé
Benção
Sou bisneto de Jacy Zani(Roiozan) filho de Tatafomotinho e afilhado de seu filho Jacy de Agué. Com o fechamento da casa do meu padrinho em Del Castilho(RJ) perdi um pouco de referencia dentro do jeje, e ja procurei saber sobre casas de jeje por aqui só q não obtive resultados.Sou egbomi só que em outra nação e gostaria de voltar a acompanhar essa nação tão linda q acompanhei na minha infância e perdi a referencia e me afastei. Agradeceria se vocês me ajudassem ou me indicassem sites ou onde posso achar casas de jeje aqui no RJ.
Parabéns pelo site tão bem elaborado e adiministrado por vocês. E que meu pai Xoroquê vos iluminem e abra sempre seus caminhos para que vocês possam continuar esse belo trabalho de divulgação e defesa da nossa religião que é tão mal falada ai fora por pessoas q desconhecem seus fundamentos.
AXÈ a todos.
Thiago procure o site do “Dote Jorge” ahoboboi blogspot, ele com certeza vai te ajudar. Tem tb o sr Amauri de Odé 3777 0970.Tomeje
Ola! pessoas, gostaria de saber urgente endereços de casa de candomblé da Nação de Keto em BH. Estou saindo da Nação Angola e quero muito tomar minha obrigação de de 5 anos no keto, mas não conheço casas aqui em BH. Alguém poderia me ajudar?
Kavulgenci há pouco tempo nós publicamos um post sobre um seminário aí em BH, por favor, clique na minha foto procure este post, talvez atravez dele vc encontre uma casa em BH. Meu irmão eu não tenho absolutamnte nada com isso,mas mudar de segmento é um passo muito importante e que o seu inkise deve ter indicado, caso contrário eu recomendaria que vc procurasse saber muito bem com o seu inkise qual a posição Dele sobre esta mudança. Tomeje
olá,gostaria de saber se há casas de candomble em porto alegre ,pois sigo a linha de cabinda como a mim foi ensinado dentro do culto,sei que sei algo sobre o que aprendi mas quero me aprofundar devido a grandes leituras que venho fazendo e observando que existe muitas falhas e faltam algumas paginas em meus aprendizados,entap que ensinamentos sao estes que tive,gostaria de realmente saber qual é minha nascente e esclarecer minhas duvidas para preservar o que ja desenvolvi,obrigado.
Que difrença há entre o jeje eo nago-vodun pq onde eu pesquisei relatam os dois da mesma forma. grata pela resposta.
ah, e acabo de ver no comentario acima esta pessoa diz que cultua obá, e a mãe de santo ode eu fui disse que não existe obá no jeje???
Raquel o nago é uma forma de falar do povo Yorubá, “é um outro nome dos yorubas”, então estamos falando de ketu. Quando falamos em vodum estamos falando de Jeje. Então tecnicamente os jeje cultuam vodum e os nago cultuam orixas, mas devido a proximidade entre os territórios “jeje” e “ketu” há uma certa mistura entre estes povos e é bem comun que tenhamos cultos que misturam orixas e voduns que chamamos de nago vodum. A questão de cultuar ou não determinados orixas em jeje é um assunto interno de cada casa de axé. Tomeje
Meu mojubá….Motumbá a todos
Na mensagem de Hungbono Charles ele faz alusão ao Vodum Jeje e o culto a outro Orixas como Ogum, Odé, Oyá, Logun Edé, Obá, Oxun, Iemanjá, Oxaguiã e Oxalufã
Muito bem…Ja que mencionou sobre o culto de orixas no jeje..Então você estaria confirmando que uma pessoa que se iniciado em Ketu, toma 1 e 3 dentro do Ketu, entre tanto o destino o leva para o Jeje, onde vai se preparar para Odu Ijè…Quais preceitos devem seguir e prevalecer nas obrigações…Ketu ou jeje?
O que é mais sensato….Encaminhar a pessoa para a nação devida ou se submeter a realizar preceitos Ketu daquele determinado orixa que está a entrar em jeje?
Obrigado por agora
Asé
Netto e Charles, me perdoem a intromissão, é curta e não impede que o Charles o responda adequadamente. Mas o que sempre falo sobre este assunto de orixas no Jeje, o mais importante é entender os motivos históricos que levaram a esta “mistura” ou “fusão”. É preciso entender que devido a proximidade dos territórios dos povos Yorubá e Fon esta troca ou mistura se deu ainda na África. É assunto longo pra mais de metro. Tomeje
Obrigado Tomeje por sua explanação, entretanto gostaria que se estendesse um pouco mais…
Obrigado
Netto
Quanto ao culto dos Orixás (que também denominamos nagô-voduns) no meu terreiro isto se deve principalmente a fatos: como o Nelson falou existe desde a África esta aglutinação entre os cultos de Voduns e Orixás devido a proximidade da região. É comum vermos no Jeje baiano a presença de orixás nas casas tradicionais, orixás como Oxun, Yemanjá, Ogun e Oyá. Claro que o fundamento destes muda de uma nação para outra, temos uma forma propria de fazer estes orixás. Uma coisa é certa mesmo: não é bom a pessoa mudar de casa (dependendo de circuntancias) muito menos de nação se fez ketu é bom continuar no ketu, até porque fica mais fácil do que começar do zero em outra nação. Também aqui a maioria das vodunsis e ogãs que eu recolhi ja eram feitas em outras nações (principalmente no Batuque e/ou na umbanda) e como aqui a proximidade é grande acaba-se mesclando certos rituais, claro que sem perder a essencia de cada um. Que deu obrigação para Oxalá continua a fazer para Oxalá e não para Lissá.
Entendi Charles…
Bem todas essas indagações tem um porque qual passo a relatar abaixo, apesar de ser de cunho pessoal…acho interessante ouvir os mais velhos e os que tem conhecimento e vivencia da situação.
Na verdade eu fui iniciado em uma casa cujo os fundamento não posso afirmar que era Ketu, pois apesar de o zelador que me iniciou ser filho de Vilma De Osun, neto agregado de Finado Bobó, eles tocavam o candomblé mas era muito diferente do que eu conheço hoje….Entretanto minha vida depois de feito não correu bem…perdi emprego, me senti revoltado…um mix de emoção enfim…..e olha que o zelador tinha 21 anos de Osossi, mas sei que ele meu o que sabia….
Depois de alguns anos passei a frenquentar o terreiro de um filho de Manoel Papai em São Paulo, que tinhas os seus preceitos NAgò, que anos mais tarde passanpassou para raizes do Asé Alaketu, pelas mãos de Egbomi Elza de Osun, esta tornando minha avó de santo…
Mas infelizmente também não correu bem, Meu orisa recebeu posto e 1 ano depois eu sai da casa ….minha vida não andava….eu não caminhava e parto do principio que Orisa é solução é caminho, enfim….
Fiquei muito tempo longe depois disso…pois a impressão que eu tinha é que o candomblé estava tomado “por pessoas irresponsáveis”, onde a única coisa que era levado em consideração nessas casas era a vaidade das pessoas, o conhecimento dito Achismo qual eles exerciam.
Foi quando conheci minha actual mulher, que não é de da religião, ela é de Umbanda, mas foi bater um jogo com um Zelador de Jeje..e no jogo só aparecia eu….Ele disse que ela tinha que me levar até ele.
Deste dia em diante minha vida mudou…em dois anos meu equilibrio foi estabelecido minha vida mudou da agua para o vinho….
E a minha surpresa está ai…pois sou Iniciado para Logunedé…….
Eu sei que dar alimento a cabeça é uma coisa e tomar obrigação é outra totalmente difrente….Estou hoje com 13 anos de santo, mas vou tomar 7…..E tudo indica que ele até então foi o único que “arrumou minha vida” e me trouxe resposta…
o que podemos dizer sobre isso?!?!
Destino, acaso…Não sei….Mas mesmo sabendo que os fundamentos de Logun não se encontram necessáriamente em jeje, esta nação foi a que me ajudou…
Asé
Netto T’Ologunedé
Eu tenho a te dizer que muitas vezes as coisas não estão somente ligadas a nação como vc mesmo comprovou. Muito do aceitamento do orixá depende da responsabilidade, capacidade e conhecimento por parte do sacerdote. Orixá não gosta de vaidades exageradas “finezas” e “achismos”. As pessoas estão muito ligadas apenas em querer saber umas mais que as outras e acabam deixando a FÉ que é o mais importante fora de suas vidas. Se eu não tiver fé e querer me achar o rei do candomblé não vai me adiantar em nada nem a meus filhos de santo. Eu sempre faço todas as obrigações com muita fé, os nossos pedidos não vem de nossa boca, mas sim de nossa mente e de nosso coração. Claro que eu acho importante estudar a religião, mas não adianta estudar e não ter a fé. Um Orixá mesmo sendo cultuado em Jeje pode muitas vezes nos auxiliar mais do que se fosse em ketu, dependendo da responsabilidade e da fé do sacerdote (não estou comparando nações, apenas faço referencia a coisas muito importantes que são FÉ e RESPEITO e entra a parte da humildade e da bondade de cada um, independendo da nação).
Concordo contigo,hoje tornou-se muito fácil memorizar lendas,cantigas,rezas,histórias, até venda de DVD de como fazer Bori ou Axexe tem!E neste aglomerado de palavras yorubanas misturado com um certo teatro mais a carência afetiva e problemas sociais e economicos pelos quais passamos,formou-se a equação perfeita para o chamado “marmoteiro”.Alguns agem em plena consciência, outros, por imaturidade.No entanto,nada existe se não partirmos da verdadeira fé, que cresce junto com o “saber ser humilde”,nenhum saber didático sobrevive sem ela.É esta força que nos impulsiona.Graças aos Orisas,existem, AINDA, muitas pessoas responsáveis e são elas que manterão vivo através de seus filhos, este nosso culto maravilhoso
É verdade Edson, eu fiquei mesmo sabendo de DVD´s e ja vi livros que ensinam os rituais de bori, axexe, ipade, e por ai vai, mas se você é entendido vai ver que aquilo tá tudo errado, e mesmo assim tem gente que se torna pai de santo atraves destas coisas. Eu acho a internet legal para conversas e trocar idéias como fazemos, mas se encontram muitos pais de santo cuja mãe de santo é a “Mãe Net” rsrsrs. Mas como eu disse, eles não tem fé e nem sabem o que estão fazendo, mas o futuro está aguardando por eles! Já vi muitas casas que tem proximidades com a minha tentarem iniciar voduns, ai surgem “qualidades” de orixás até então desconhecidas como Oxun Azirimi, Oxalá Lisá, Odé Azaka, Odé Otolu e por ai vai. Cito isso pra vc ver como também existem aqueles que querem copiar o fundamento dos outros e se dão mal.
Mojubá Baba Charles
Realmente o orixa independe de nações….Vc vê….Mesmo eu tendo iniciado minha trejatória em Ketu, fiquei praticamente 7 anos e Ketu…MAs somente o Babalorixa oriundo do ZOOGODO MALE BOGUN ….apesar de conhecer profundamento os preceitos de Ketu….poi o zelador dele foi feito por mãe Runhó, na Fazendinha, pois no Bogum não se fazia homem, logo ele foi feito na Fazendinha.
Anos depois da morte de Agba Runhó, meu avô passou a tomar obrigações com Procópio de Ogun…Nesta casa que estou hoje foi que minha vida mudou…Não deixo de achar estranho, por que Logunedé é de Efon, é de Ketu e a partir dai vem minha dúvida…..MAs no final nunca saberemos o porque eu fui parar no Jeje….uma história bem diferente…Mas uma coisa eu tenho aprendido, quem guia minha vida é o orixa, então ele sabe pra onde me levar na hora certa…
Bem obrigado pelas enriquecedoras respostas….
Awure a todos
Netto T’Ologunedé
Netto,
Certamente muitas coisas fogem ao nosso entendimento, ao nosso comprender, quem sabe Logun, que é orixá e conhece o coração de todos, escolheu esta casa por que era o melhor pra você.
Há coisas que nós jamais entenderemos, por mais que estudemos ou pesquisemos, algumas coisas nós nunca saberemos o porquê aconteceu.
Sua Benção,
Pai Nelson,
Esto enfrentando um grande dilema para fazer minha ogrigação de 7 anos, sou Eketi e tenho 10 anos de santo mas minha obrigação está atrasada e não tenho nenhuma casa séria aquí no RJ que me indentifique, sempre me sinto enganada e vejo desrespeito com meus orixás. Mnha dúvida é estou tentando fazer a obrigação no dia 15/07/2011, só que verifiquei que terá um eclipse total da lua neste dia e não sei se será possível fazer minha obrigação.
Gostaria de sua orientação se é possível fazer uma obrigação neste dia segundo os preceitos do candomblé Keto.
Se possível me oriente um casa séria dentro dos fundamentos corretos da Nação Keto.
Grata,desde já….
Mojuba
E que nosso Pai Ogum Abençõe à todos
Ana D’Osun, um dia sem lua, acho que não é um dia bom para se fazer um rito de Odum, procure uma nova fase da lua, a crescentre e a cheia eu considero as melhores.
Ire o.
ola queria saber algo para deixar uma pessoa bem rapido cega de amor tesão por outra no caso meu ex
Gabriela, que visão vc tem de nossa religião. Será que o padre, ou bispo protestante tem esse poder?
Vc tentou falar com eles?
Que tal vc procurar esses marmoteiros que dizem; TRAGO A PESSOA AMADA EM 3 HORAS.
Nos poupe de imbecilidades, seja mulher suficiente para deixar um homem louco de tezão por vc.
Temos muito a fazer neste blog e só estou lhe respondendo para que todos saibam que fazemos trabalho serio.
Pena vc não ter encontrado alguém que lhe cobrasse R$ 20.000,00 pelo” ALGO”.
Nos respeite e se respeite.
OIe eu gostaria de saber se oxumaré pode ser colocado como segundo santo(orixá) de alguem?
Fernanda, Osumare dentro do Candomblé conforme explicado por Baba Fernado não vem como juntó, ou ele é o seu òrìsá ou ele vem no seu enredo, nunca como segundo.
Ire o.
Muito obg. Agora se não for mto incomodo oqê seria exatamente oxumare no meu enredo? Sei que ele é de herança do meu pai, mais meu pai de santo quer coloca-lo como meu 2° santo porém não aah nada resolvido ainda pois sou iniciante e só rodei de Iansã, outro dia conheci uma mulhe “mae de santo” e ela me disse que enchergava em mim oxossi e não oxumaré, e disse que oxumaré é rei e se fosse colocado como meu segundo santo isso destruiria com a minha vida, poriso fiquei com tantas dúvidas, alias é normal nas primeiras vezes o santo pegar as pessoa metameta?vlw pela resposta.
Fernanda,
Oxumare não é segundo orixá, certamente está no seu enredo por herança. Se você não é iniciada, tudo pode acontecer quando a energia do Orixá se aproxima de você.
Axé.
Mto obrigado pelas respostas,
Foram de grande importância pois eu gosto mto da religião e preteendo segui-la
mais são tantas informações diferentes que fica dificil de sabermos qual é a certa
mto Axé para vcês!
Fernanda a era de aquarius a qual vivemos diz que esta é a era da sabedoria, devemos nos informar, ler, pesquisar e conversar.
Aqui é um forum aberto, se tem duvidas, tentaremos ajudar, ok.
Ire o.
eu kaiônga da iansã deixo aqui a minha saudade dos orixas que bolavam nos terreiros dos pais que os recolhia por amor e naõ por dinheiro das entidades que se davam respeito da uniaõ dos irmaõs do mesmo ronkó da compricidade dos zeladores e zeladoras do amor do yaô pelo seu pai que hoje trocam como se troca de roupa saudades dos grandes rituais que hoje com poucas exeçoês virou shows espetaculos akolofé a oxala peço agô.
Boa noite.
Venho por meio deste,pedir lhes ajuda para encontrar alguns terreiros de candomblé em Ribeirão Preto-sp.
Sou um médium porem não desenvolvido e quero muito me desenvolver e aprender tudo,tudo o que temos a aprender ,o terreiro que frequento hoje fica em Araçatuba-sp sendo assim muito longe,estou a procura de um terreiro aqui em ribeirão preto mas ate o momento ainda não encontrei.
Já não sei mais a quem recorrer e em uma busca na internet encontrei este fórum,Se for o caso ate mesmo por e-mails estarei sempre lendo e mantendo contato para o aprendizado,mas não quero deixar de aprender.
POR FAVOR.
Peço lhes que por gentileza poderiam me ajudar…..
Desde já grato e desejo lhes muito axé.
Att: Guilherme Palandri
Guilherme o nosso contato está em S. Paulo.
Na sua região eu não conheço ninguém, quem sabe algum amigo do blog possa lhe ajudar.
Ire
Muito obrigada pelo retorno,e agora vamos la atras do que tanto quero rsrs obrigada mesmo pela atenção e quem sabe não é aqui mesmo que encontrarei…