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A palavra é forte, a palavra pode nos elevar como também pode nos atirar ao infortunio eterno. Devemos manter a calma na hora de proferir palavras, não devemos blasfemar, não devemos manipular a ‘faca’ em momentos de raiva.

Devemos ter muito cuidado com as palavras, dentro do mito narrado abaixo veremos que a palavra mal proferida acarretou prejuízo e o resultado nada satisfatório está descrito neste Odù.

Odù Ogbè’Ògúndá (Obgè’yonu).

Numa luta onde você guerreia e vence, é chamada de guerra da vida.

Na luta onde você guerreia e perde, é chamada de guerra da morte.

Para viver, o respeito pelo seu semelhante é fundamental.

Uma pessoa considerada líder não desrespeita a ninguém.

Quando o dia amanhece os pássaros cantam, quando a noite chega os pássaros repousam.

Foram esses os conceitos que saíram para Èsù em um jogo divinatório e Èsù disse:

Eu vou acabar com as 200 divindades que estão na Terra.

Ògún diz a Èsù:

Você mente, pois não consegue acabar comigo!

Obàtálá diz à Èsù:

Você mente, pois não consegue acabar comigo!

Osányìn toma as dores para si e desafia Èsù, dizendo que ele, Osányìn, enfrentaria e dizimaria Èsù.

Èsù se irrita com Osányìn e diz:

Já que todo mundo me desafia, eu reduzirei seu corpo a pó.

E então marcam um duelo.

Assim Osányìn foi consultar seus adivinhos temendo a morte.

Os adivinhos dizem para Osányìn fazer ebo e não enfrentar Èsù, pois ele é um homem muito forte.

Osányìn retruca dizendo:

Imagine se por causa de Èsù, eu farei ebo, pois Èsù só possui sabedoria e não força!

Eu sou poderoso, pois sou o grande mago e poderoso feiticeiro!

E lá se foi Osányìn ter o encontro com Èsù, na oritá (encruzilhada de três pontas).

Chegando lá, Èsù diz:

Você Osányìn, não sabe que uma pessoa que tentaram matar na vida e não conseguiram, sou eu e somente eu mato e mando para o mundo dos mortos?

Dai então começaram a trocar provocações, cada um dizendo que era mais forte do que outro.

Então Èsù diz:

Se você Osányìn, realmente é forte, teste seu àse.

Mas foi Èsù quem primeiro testou seu àse, dizendo:

Se eu empurrar essa árvore, ela cairá sobre você!

Èsù empurra a árvore, Osányìn consegue sair fora para não ser atingido.

Èsù diz:

Se eu encostar meu Ogó em você, você será queimado!

Èsù encostou e Osányìn não queimou, só saiu fumaça.

Osányìn diz:

Èsù, o que você viu são minhas proteções, razão pela qual você não consegue me fazer mal.

Èsù fica mais irritado e diz:

Osányìn, com essa minha bengala (Ogó-Bastão de Èsù), se eu bater no chão, vai brotar água e lhe cercar.

E assim Èsù fez e a água começou a cercar Osányìn.

Mesmo vendo que a força de Èsú era maior que a sua Osányìn entra em luta corporal com Èsù.

Depois de algum tempo, Osányìn percebe que não iria vencer Èsù e então implora a Èsù que pare a luta e que o desculpe.

Èsù diz que não lhe desculpa, pois Osányìn havia lhe desrespeitado.

Èsù então lança mão de seu Ogó e golpeia a perna de Osányìn, que fica quebrada.

Então Èsù diz:

Se eu lhe matar agora, você nunca saberá o valor de minha força, porém eu lhe castigarei.

Pega o Ogó novamente e golpeia a cabeça de Osányìn, o qual perde a fala depois da pancada.

Osányìn se levanta, sai correndo e vai ter com seus adivinhos, para ver se encontrava alívio para o seu sofrimento.

Ele queria ser curado.

Eles lhe dizem:

Você foi brigar com Èsù Òdàrà, que é mais forte do que você, você não sabia que ele é o líder dos òrìsà?

Não há nenhuma divindade que desafie Èsù.

Em razão desse desafio à Èsù, nada podemos fazer.

Você permanecerá assim para sempre, sem voz e aleijado da perna.

Olhe Osányìn, somente quem faz ebo terá a proteção de Èsù.

E cantaram assim:

Falamos e você não ouviu.

Dissemos e você não quis aceitar.

Quando as pessoas se negarem a ouvir conselhos.

As coisas tornam-se difíceis, como pedra.

Olhe ouvir conselhos é lucro!

Àse.

O Ilè Iwá Pèlé sustenta o princípio da ética.

A frase yorùbá para a ética é:

“Eko iwa rere”.

Que em tradução literal significa:

“Ensinando o bom caráter.”

A formação dos sacerdotes de Ifá na África inclui Áwo Eko Iwá Rere, que são as diretrizes éticas para aqueles que trabalham com a adivinhação. Essas diretrizes não são um conjunto de regras, elas são uma expressão das expectativas comuns.

Na cultura yorùbá tradicional, existe a forte convicção de que o Áwo (adivinho) tem o poder da palavra. Consequentemente, há uma expectativa comum de que ele não vai usar a sua voz para expressar palavrões e/ou linguagem xula.

Há também uma crença coletiva que o poder da palavra é suportado por uma boa saúde e higiene. Por esta razão, o Áwo vai comer e beber com moderação e manter o asseio diariamente.

O bem-estar de uma pessoa, afeta o bem-estar de toda a comunidade. É por esta razão que o Áwo sempre dará assistência a alguém que está em crise espiritual. Isto é verdadeiro, mesmo que a pessoa seja incapaz de pagar pelos serviços do Áwo.

No entanto, há também uma expectativa comum a quem é dado assistência pelo Áwo sem pagamento monetário, ele irá fornecer alguma forma de trabalho quer para o Áwo, quer para sua família.

Nós, do Ilè Iwá Pèlé às vezes prestamos serviços em troca de trabalho. A expectativa é que o suplicante irá cumprir os termos do acordo.

Uma dos mais fortes expectativas de um Áwo na cultura yorùbá é que o conteúdo da adivinhação permaneça confidencial. Uma violação a esta expectativa seria considerado um assunto muito grave e justificaria uma resolução através de Ògbóni (Conselho de Anciãos).

Essas expectativas não são tão fortes no Ocidente e por isso é quase impossível para um Áwo desenvolver um grande número de seguidores sem a estrita observância dos princípios gerais de: Áwo Eko Iwá Rere.

Essas diretrizes, no entanto, continuam a ser uma medida válida pela sinceridade e competência de quem usa a adivinhação como um método de comunicação com o òrìsà.

Por: Áwo Fatunmbi

Ifá ni:

Kinni a ba bo ni Ife [agbarijo ayé]?

Enu won, ni a ba bo ni Ife
Enu won.
Kiki Ifá yii duro bee.

Ifá diz:

Com o que devemos ter cuidado?
Pronunciamentos e reações coletivas?
Sim, as reações e pronunciamentos coletivos.

A fala é um dos maiores bens com que a raça humana está dotada.

Com o discurso vem à eloquência; com a fala vem à astúcia; com a fala vem também a esperteza.
Com a fala, um sentimento verdadeiro é revelado e é acessado.
Com a fala, pode-se ganhar ou perder.
Dependendo do seu impacto sobre a entrega, o discurso pode ser uma maldição ou uma bênção.
Felizmente, o discurso tem uma válvula embutida: a oportunidade, fração de segundo, para considerar (avaliar) seu impacto antes que seja efetuada a palavra maligna.
De acordo com a antiga sabedoria do Ifá, a reação coletiva de um de discurso pode ser fatal para a causa, ou, pode ser o seu maior trunfo.
Visto que todos os dias são únicos e tudo é único e cada discurso é único, vamos fazer um esforço concentrado durante este processo de entrega de nosso discurso:

Que o impacto do discurso aja positivamente.
Então, deixe o impacto positivo do nosso discurso começar hoje e deixe-o guiar nossas vidas todos os dias, junto com outros seres humanos.

Aboru, aboye.

Por: FAMA

Vemos esta abordagem sendo dirigida aos povos da terra.

Não precisamos ser iniciados nos mistérios, como não precisamos estar ligados a qualquer religião para acessarmos as energias da palavra. O som que vibra por todo o universo e é ouvido em todas as suas dimensões é o portador da energia emanada pela coletividade ou por um de seus membros.
A responsabilidade pelas palavras proferidas é grande.
Os sacerdotes e sua comunidade, o leigo e sua consciência e o ser humano em sua essência são responsáveis pelo que se fala e emana de dentro do coração (sede de nossos sentimentos).
Que eu seja poupado da tarefa de testemunhar à ira do ser humano.

Ire Bàbá.

Moremi

 

Moremi Ajasoro, Princesa Yorùbá, foi uma figura de grande significado na história dos povos Yorùbá.

Ela era um membro-pelo casamento da família real do Imperador Oduduwa, o progenitor do povo Yorùbá. Ela era a esposa do rei Oranmiyan de Ife (e mais tarde Òyó).

Uma mulher de grande beleza e uma defensora fiel e zelosa de seu marido e do Reino de Ile Ife. Nessa época havia uma tribo vizinha chamada Igbo, que regularmente e com sucesso atacava as pessoas em torno Ilè Ifé.

Moremi decidida por em pratica uma estratégia, ela foi até a Esinmirin um rio próximo, e prometeu a divindade que ela iria fazer o maior sacrifício possível se ele lhe permitisse descobrir a força dos inimigos de sua nação. Ela, então, foi para um lugar que era invadido com frequência e quando os atacantes chegaram, ela se permitiu ser capturada. Sendo muito bonita ela foi tomada como despojo ao rei de Igbo.

Ela estava muito confiante e habilidosa e logo ganhou a confiança e o carinho do Rei e do povo em terras igbo. Ela tornou-se familiar com seus costumes e táticas de guerra. Ela descobriu que os Igbo, em preparação para a batalha, cobriam-se da cabeça aos pés com grama Ekan e fibras de bambu. Ela percebeu que, se alguém podesse passar entre os guerreiros Igbo com uma tocha eles poderiam ser derrotados.

Sentindo que já tinha conhecimento adequado, ela escapou para grande surpresa de seus captores Igbo. Conhecer os segredos de guerra dos Igbo, as pessoas de Ife foram para sempre libertadas dos terrores desses guerreiros invencíveis anteriormente.

A fim de cumprir a promessa que ela fez para Esimirin antes de embarcar em sua missão, ela fez o sacrifício de carneiros e cordeiros, mas estes não foram aceitos. Os sacerdotes lhe disseram que o único sacrifício que os deuses aceitariam seria seu único filho Oluorogbo. Abatida ela permitiu que seu único filho fosse sacrificado em gratidão por salvar o seu povo.

A nação de Ifé chorou e ela foi homenageada na mais alta e absoluta estima por todas as mulheres do Reino.

Comprometeram-se a serem eternamente seus filhos e filhas, em memória ao seu sacrifício.

Ela é cultuada até os dias de hoje.

 

Ire Bàbá.

Mencionaremos alguns contidos na sabedoria de Ifá para que todos reflitam sobre a filosofia do nosso culto, nesta vida estaremos cultuando muito mais o caráter do que o òrìsà, esta é palavra de Ifá, esta é palavra de Olódùmarè, dentro do nosso culto, o desenvolvimento do caráter do ser humano é nossa atividade fim.

Quem pensa diferente não conhece Isese L’agba (Culto Tradicional).

Depois que eu me iniciei, eu iniciei a mim mesmo.

Comentário:

Alguns adoradores de òrìsà têm a noção equivocada de que a iniciação nos mistérios do òrìsà pode eliminar todos os problemas da vida, dado o poder de transcender as dificuldades e torná-los imunes à tragédia.

Todas estas noções estão incorretas.

O propósito da iniciação é dar ao Elégun uma consciência mais profunda de si e do mundo. Esta consciência se torna a base para um processo de resolução de problemas que se baseia em uma visão complementadora de interação pessoal e ambiental. A iniciação deveria fornecer uma maneira de ver, uma nova forma de ouvir e um novo modo de ser.

Ela não remove “magicamente” as dificuldades da vida. A única maneira do poder de iniciação ser realizado é quando o iniciado reafirma os princípios do òrìsà vividos durante o rito de passagem que dá origem aos futuros sacerdotes e sacerdotisas de òrìsá. Este é e sempre será um processo de transcender as limitações.

Cada nova revelação, cada novo entendimento, cada nova experiência traz consigo o potencial para a iluminação. Toda vez que expandimos a nossa consciência, o velho homem deve morrer e renascer em uma nova profundidade de sabedoria. Deixando de lado o velho homem, deixando de lado velhas ideias, deixando de lado os velhos modos de ver, podemos encontrar um processo difícil e doloroso, porém, perfeitamente natural dentro da visão do Deus Supremo (Olódúmarè).

A iniciação deve nos fornecer uma experiência de mudanças internas e externas que ocorrem a cada vez que expandimos a nossa consciência.

A iniciação é para aqueles que, além de acreditarem na magia do Cosmos, procuram um fim às dificuldades, aos conflitos, aos desafios, aos medos e buscam as bênçãos da vida.

Na cosmologia de Ifá, todas as formas de riqueza vêm como resultado da transformação.

Aqueles que conhecem o mistério da linguagem do Òrìsà falam pesado.

Comentário:

A ideia de falar com uma língua pesada significa que nem sempre se diz tudo o que se sabe.

Quando uma pessoa começa a entender os segredos internos da relação entre o eu e o mundo, torna-se claro que nem todo mundo vai entender essa interação simplesmente por ouvir as palavras.

Muitas vezes a sabedoria verdadeira vem através da experiência. Quando os anciãos falam, estão está dando a seus filhos a oportunidade de aprender através da experiência.

Aqueles que dizem a verdade recebem as bênçãos do Òrìsá.

Comentário:

A honestidade é considerada um elemento-chave no processo de construção de um bom caráter. Quando os membros da comunidade chegam a um acordo Òrìsà sob a orientação dos maiores do conselho Ogbònì os termos deste acordo são empossados ​​em um pedaço de ferro dedicado a Ògún. De acordo com a ideia de que todo problema tem uma solução, é a crença de que nenhum problema pode ser resolvido até que seja claramente identificado. A identificação de um problema depende inteiramente da verdade e da honestidade. É no contexto desse processo que a verdade traz as bênçãos do Òrìsà.

Um aspecto da honestidade que é às vezes negligenciado é a vontade de manter sua palavra. Na minha experiência em África, quebrar uma promessa é considerado o reflexo de um caráter pobre.

É muito melhor evitar fazer um acordo do que quebrar um.

Aquele que prejudica os outros, quando for prejudicado, será incapaz de fazer justiça em uma disputa.

Comentário:

A mídia popular frequentemente associa o culto do Òrìsà com fazer uso de feitiços e magia para causar danos a outros.

Na verdade, aqueles que adoram o Òrìsà na África consideram imoral usar o poder do Òrìsà para prejudicar os outros. O poder do Òrìsà é muitas vezes invocado para proteção e questões de justiça, mas não para vingança. Este provérbio é um lembrete de que a capacidade de perdoar é um elemento essencial no processo de viver em harmonia com o òrìsà.

Aqueles que estão associados com o uso de magias e poder pessoal, entendam o verdadeiro significado do caráter, conforme definido por Olódùmarè através de Ifá.

As pegadas dos maus não são diferentes das pegadas dos sábios.

Comentário:

A prudência é um tema recorrente em provérbios yorùbá. Aqui está o aviso contra o engano. As pegadas dos maus não são diferentes das pegadas dos sábios. Isto sugere que uma pessoa não pode confiar na aparência de alguém cujo caráter parece ser irrepreensível. Mesmo os rastros de suas ações podem não ser suficientes para determinar a sua verdadeira natureza.

Em outras palavras, você pode se fazer parecer uma pessoa honesta, carinhosa e generosa. É possível agir mecanicamente, comportando-se de uma forma que não abraçe estes atributos positivos internamente.

Você também pode se fazer de uma pessoa que se preocupa com o espiritual, sem realmente ser motivada por preocupações espirituais. Uma pessoa com bom caráter pode ter coisas boas a dizer, pode comportar-se corretamente e pode frequentar regularmente as funções religiosas.

Você também pode fazer isso, já que a transformação interna é autônoma.

A ressalva neste provérbio é olhar além das aparências exteriores em matéria de confiança.

Por: Bàbáláwo Fatunmbi.

Ninguém falou que iria ser fácil. Ninguém falou que tudo seriam somente flores. Ninguém falou que um dia eu não perceberia isso e que mesmo minha zeladora sendo atenciosa, me tendo como uma “mascote”, isso me privaria de perceber os conflitos surgidos no meu caminho, ora porque surgem por conta da “manutenção” da própria vida, ora porque nós os fazemos surgir.

Talvez escrever aqui quase soe como um diário meu, um diário de uma iyawô desde o princípio do seu nascimento. Um diário que tenta relatar com o coração as sensações que vive nesse mundo regido pelos orixás e praticado por pessoas.

Só que não é só de coração que se vive uma pessoa, também não é só de sentimento. Acho que também tenho o dever de afirmar isso para quem me lê, assim como devo afirmar a máxima que circula no discurso de certos religiosos: a relação entre “amor e dor”. Eu sempre entrei em conflito com essa relação, pensava que onde um estava presente o outro não chegaria. Não tinha que chegar. Porém, em aprendizado e vivência religiosa a gente percebe que chega certo momento que relacionar esses elementos já sai no “automático”.

O amor nos emociona, faz a gente ter coragem de viver uma religião que sofre tanta intolerância, o amor nos faz por o nosso Orixá em primeiro lugar, defendê-lo com toda disposição, nos faz continuar mesmo quando machucados.

A dor ensina. Isso mesmo, a dor nos ensina. Ela não só chega pra desestruturar, não chega somente para magoar. Ela sobretudo ensina. Ensina que o jeitinho de andar dentro da vida religiosa não é mesmo jeito de andar na vida. Talvez seja ela que fica apontando o defeito, cutucando o defeito até que ele seja aprumado. Quero que fique claro que o aspecto de dor que falo aqui não é a dor provinda de atos físicos (não falo de ninguém batendo e apanhando!). Falo da dor que vez ou outra nos ocorre, pois por mais que tantos religiosos queiram ser perfeitos, o aspecto humano, a complexidade humana não é imune dessas capacidades negativas.  Somos erros e aprendizados. Exú, o “contraditório”, está presente em nossos corpos. Isso por si só já explica muita coisa.

Enfim, ser “casca grossa” como eu tanto falo é isso: as dores nos criam cascas de aprendizado e proteção. Proteção para o que virá e proteção ao sentimento. A camada grossa também protege o amor que a gente consegue nutrir e nos move pelo orixá, pela ancestralidade, por aqueles que viveram não somente dores “invisíveis”, mas também dores físicas, as dores das chibatas, as dores dos troncos.

Esse tal de mar de rosas não existe, mas Oyá é viva em mim. Cada vez mais viva. E é isso que importa.

Sigamos!

Axé!

“Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando,                                                                                                 a gente vai levando,                                                                                                  a gente vai levando,                                                                                                                   A gente vai levando essa guia”

(Vai levando, Chico Buarque)

1. Espiritualidade Fast Food: A espiritualidade Mix com uma cultura que celebra a velocidade, a multitarefa e gratificação instantânea onde o resultado seja provável a espiritualidade fast-food. Espiritualidade fast-food é um produto da fantasia comum e é compreensível para o alívio do sofrimento de nossa condição humana, ele tem que ser rápido e fácil. Uma coisa é clara: a transformação espiritual não pode ser obtida como uma solução rápida.

2. Falsa espiritualidade: A falsa espiritualidade é a tendência de falar, vestir e agir como se o imaginário visse o que outra pessoa espiritualizada faria. É uma espécie de imitação da espiritualidade. Imita a realização espiritual da mesma maneira que um tecido pode imitar a pele genuína de um leopardo.

3. Motivações confusas: Embora o nosso desejo de crescer seja genuíno e puro, muitas vezes ele se confunde com motivações menores. Incluindo o desejo de ser amado, o desejo de pertencer a um grupo, a necessidade de preencher nosso vazio interno, a crença de que o caminho espiritual removerá: A nossa ambição, o nosso sofrimento espiritual, o nosso desejo de ser especial, de ser melhor do que qualquer coisa, para ser “o Único”.

4. Identificando-se com Experiências Espirituais: Nesta doença, o ego se identifica com a nossa experiência espiritual e a toma como sua e nós começamos a acreditar que estamos incorporando ideias que surgiram dentro de nós em determinados momentos. Na maioria dos casos isso não dura indefinidamente, embora tenda a perdurar por longos períodos de tempo como aqueles que se julgam terem função iluminada e/ou, serem professores espirituais.

5. O Ego espiritualizado: Essa doença ocorre quando a própria estrutura da personalidade egóica se torna profundamente integrada com conceitos espirituais e ideias. O resultado é uma estrutura egóica “à prova de balas”.

Quando o ego se torna espiritualizado, somos incapazes de ​ ajudar, em uma nova entrada ou em comentários construtivos. Nós nos tornamos seres humanos impenetráveis com crescimento espiritual raquítico e isto tudo em nome da espiritualidade.

6. Produção em Massa de Professores Espirituais: Há uma série de tradições espirituais em moda, produzem pessoas que acreditam estar em um nível de iluminação espiritual ou maestria, que está muito além de seu nível real.

Uma das doenças é o transportador espiritual: Ele coloca um brilho, obtém um insight e… Bam!

Pronto! Você está iluminado e pronto para iluminar os outros de maneira similar. O problema não é que tais professores instruam, mas que representem, a si mesmo, como tendo alcançado o domínio espiritual.

7. Orgulho Espiritual: O orgulho espiritual surge quando o profissional, através de anos de esforço e trabalhado, realmente alcança certo nível de sabedoria e a usa para justificar o poder de desligar uma experiência maior. Um sentimento de “superioridade espiritual” é outro sintoma desta doença transmitida espiritualmente. Ela se manifesta como uma sensação sutil de que “Eu sou melhor do que os outros sou mais sábio e superior porque sou espiritualizado”.

8. Grupo da mente: Também descrito como pensamento de grupo de culto ou doença que cause vergonha, grupo da mente é um vírus insidioso que contém muitos elementos tradicionais que causam dependência.

Um grupo espiritual faz acordos sutis e inconscientes sobre as formas corretas de pensar, falar, vestir e agir. Indivíduos e grupos infectados com o “espírito de grupo” rejeitam indivíduos, atitudes e circunstâncias que não estão de acordo com suas regras, muitas vezes não escritas do grupo.

9. O complexo de pessoas escolhida: o complexo de pessoas escolhidas não se limita aos judeus. É a crença de que “O nosso grupo é mais evoluído espiritualmente, poderoso, iluminado e simplesmente, melhor do que qualquer outro grupo”.

Há uma diferença muito importante entre reconhecer que se encontrou o caminho certo. O professor ou a comunidade e o caminho que você se encontra.

10. O vírus mortal: “Cheguei”:

Esta doença é tão potente que tem a capacidade de ser terminal e mortal para a nossa evolução espiritual. Esta é a crença de que “Eu cheguei” na meta final do caminho espiritual. Nosso progresso espiritual termina no ponto em que essa crença se torna cristalizada em nossa psique, para o momento em que começamos a acreditar que chegamos ao fim do caminho, um maior crescimento cessa.

Mariana Caplan, Ph. D.

Adaptado do livro Eyes Wide Open:

Cultivando o Discernimento no Caminho Espiritual (O Som Verdadeiro).

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